A lei do mais forte
A "National Security Strategy" de Trump é um manifesto soberanista e antieuropeu.
Em um documento de apenas 33 páginas, os Estados Unidos colocaram preto no branco a própria visão de mundo baseada no princípio "America First", que declina a política externa de acordo com os interesses econômicos nacionais, relacionando-se com o resto do mundo com base nas relações de força entre as potências. Nenhuma crítica à Rússia de Putin, temor reverencial em relação à China e desprezo pela Europa. Um mundo governado pelo cinismo, onde não há mais espaço para o multilateralismo e a democracia. A América Latina, para os EUA, volta a ser o "quintal de casa", ou seja, uma apêndice meridional a ser controlada com as boas ou com as más.
O documento tem o "mérito" de tornar explícitas e oficiais uma longa série de afirmações e de atitudes consequentes que já haviam caracterizado a atual presidência americana: da fascinação pelos ditadores à falta de respeito pelos aliados europeus, passando pelas ameaças de anexação ao Canadá e à Groenlândia e pelas mensagens ameaçadoras àqueles na América Latina que não quisessem se adequar à supremacia dos EUA.
"O velho mundo está morrendo. O novo tarda a aparecer. E nesse chiaroscuro nascem os monstros": mais uma vez, a célebre frase escrita por Antonio Gramsci durante o cárcere nos ajuda, com uma atualidade surpreendente e preocupante, a descrever uma passagem histórica dramática e incerta, onde se torna cada vez mais evidente a prevalência das lógicas de poder — a "arrogância das superpotências" — sobre o direito internacional (já considerado um enfeite inútil pelas lideranças soberanistas e autocráticas).
É inegável que a Europa pague hoje o preço de muitas incertezas e atrasos que marcaram nesses anos o processo de integração, em uma contínua oscilação entre o alargamento a novos países e o direito de veto dos governos individuais. Igualmente real, nos últimos anos, foi a ingerência dos Estados Unidos de Trump nas escolhas de política interna dos países membros da UE, desde o referendo sobre o Brexit que sancionou a saída da Grã-Bretanha da União até o apoio direto ou indireto a partidos ou movimentos soberanistas e eurocéticos.
O continente europeu, segundo o documento americano, poderá continuar a ser um parceiro estratégico dos Estados Unidos desde que a dominá-lo sejam os aliados do presidente Trump e não as forças políticas que apostam em uma autonomia da UE em relação às superpotências e em um novo protagonismo dela no cenário internacional, a começar pela conquista de uma paz justa na Ucrânia e pelo fortalecimento de uma política de defesa própria.
A "National Security Strategy", em resumo, é a sistematização em doutrina da abordagem trumpiana à política externa. Nada de universalismos, nada de projetos de engenharia política no exterior, nada de garantias gratuitas aos aliados e nenhum idealismo.
O America First não é mais apenas um simples slogan, mas uma verdadeira estratégia de uma potência seletiva: forte, soberana, industrial, impermeável a influências externas e livre para agir, ou não agir, segundo um critério simples: o que serve ao interesse americano? Todo o resto é relegado a custos inúteis no plano econômico e político, a começar pelo apoio ao multilateralismo até hoje representado pelo sistema das Nações Unidas, ao qual os Estados Unidos dão um golpe quase mortal. Um mundo sem ONU, com uma UE enfraquecida e uma América Latina a seus serviços: eis a NSS de Donald Trump. Como dizia o título de um drama de Pirandello: "Assim é (se lhe parece)."
*Artigo originalmente publicado na revista Comunità italiana (dezembro 2025)
Fabio Porta é deputado italiano do Partido Democrático, eleito na América do Sul; é Vice-presidente da Comissão Permanente sobre os Italianos no Mundo da Câmara dos Deputados da Itália.
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La legge del più forte
La "National Security Strategy" di Trump è un manifesto sovranista ed antieuropeo.
In un documento un documento di appena 33 pagine gli Stati Uniti hanno messo nero su bianco la propria visione del mondo basata sul principio "America First" che declina la politica estera secondo gli interessi economici nazionali, rapportandosi al resto del mondo in base ai rapporti di forza tra potenze. Nessuna critica alla Russia di Putin, timore reverenziale verso la Cina e disprezzo verso l'Europa. Un mondo governato dal cinismo, dove non c'è più spazio per il multilateralismo e la democrazia. L'America Latina, per gli USA, torna ad essere il "cortile di casa" ossia un'appendice meridionale da controllare con le buone o le cattive.
Il documento ha il "pregio" di rendere esplicite e ufficiali una lunga serie di affermazioni e di conseguenti atteggiamenti che avevano già caratterizzato l'attuale presidenza americana; dalla fascinazione per i dittatori alla mancanza di rispetto per gli alleati europei, passando per le minacce di annessione a Canada e Groenlandia ai messaggi minacciosi a quanti in America Latina non volessero adeguarsi alla supremazia USA.
"Il vecchio mondo sta morendo. Quello nuovo tarda a comparire. E in questo chiaroscuro nascono i mostri": ancora una volta la celebre frase scritta da Antonio Gramsci durante la prigionia ci aiuta con sorprendente quanto preoccupante attualità a descrivere un drammatico e quanto mai incerto passaggio storico, dove appare sempre più evidente il prevalere delle logiche di potere - la "prepotenza delle superpotenze" - sul diritto internazionale (ormai considerato un inutile orpello dalle leadership sovraniste e autocratiche).
È indubbio che l'Europa paghi oggi il prezzo di troppe incertezze e ritardi che hanno segnato in questi anni il processo di integrazione, in una continua oscillazione tra l'allargamento a nuovi Paesi e il diritto di veto dei singoli governi. Altrettanto reale negli ultimi anni è stata l'ingerenza degliStati Uniti di Trump nelle scelte di politica interna dei Paesi aderenti all'UE, dal referendum sulla Brexit che sancì l'uscita della Gran Bretagna dall'Unione al sostegno diretto o indiretto ai partiti o movimenti sovranisti ed euroscettici.
Il continente europeo, secondo il documento americano, potrà continuare ad essere un partner strategico degli Stati Uniti a condizione che a dominarlo siano gli alleati del Presidente Trump e non le forze politiche che puntano ad un'autonomia dell'UE dalle superpotenze e ad un suo nuovo protagonismo sullo scenario internazionale, a partire dal raggiungimento di una pace giusta in Ucraina e dal rafforzamento di una sua politica di difesa.
La "National Security Strategy" insomma è la sistematizzazione in dottrina dell'approccio trumpiano alla politica estera. Niente universalismi, niente progetti di ingegneria politica all'estero, niente garanzie gratuite agli alleati e nessun idealismo.
L'America First non è più così un semplice slogan ma una vera e propria strategia di una potenza selettiva: forte, sovrana, industriale, impermeabile a influenze esterne, e libera di agire, o non agire, secondo un criterio semplice: cosa serve all'interesse americano? Tutto il resto è relegato a inutili costi sul piano economico e politico, a partire dal sostegno al multilateralismo fino ad oggi rappresentato dal sistema delle Nazioni Unite, ai quali gli Stati Uniti danno un colpo pressoché mortale. Un mondo senza ONU, con una UE indebolita ed un'America Latina ai propri servizi: eccola NSS di Donald Trump. Come recitava il titolo di un dramma di Pirandello: "Così è (se vi pare)."
Fabio Porta è deputato italiano del Partito Democratico, eletto in Sud America; è Vice Presidente del Comitato Permanete sugli Italiani nel Mondo della Camera dei Deputati
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