Dos Apeninos à Amazônia
Há cem anos, Ermanno Stradelli, um dos primeiros grandes estudiosos da floresta amazônica, morreu em Manaus.
A grande história dos italianos no Brasil é marcada pelo sacrifício de mais de um milhão de mulheres e homens que, entre os séculos XIX e XX, atravessaram o oceano para escapar da fome na esperança de um futuro melhor. É uma história rica e complexa, nem sempre linear e homogênea. Paralelamente ao movimento migratório popular, ou melhor, em paralelo a ele, artistas, cientistas, figuras religiosas e revolucionários chegaram ao Brasil durante o mesmo período. Histórias individuais e coletivas, portanto, que juntas formam um quebra-cabeça extraordinário que hoje faz do Brasil o maior "país italiano" fora da Itália.
A história de Ermanno Stradelli, nascido em Borgotaro, Emília-Romanha, em uma família de antiga nobreza, é um dos mais belos, e talvez menos conhecidos, exemplos do espírito empreendedor daqueles que tiveram a coragem de deixar as tranquilas colinas do nosso país em busca de aventura, mas também do fascínio de terras e povos até então desconhecidos para a maioria.
Em 1879, com apenas vinte e sete anos, após concluir seus estudos de direito e ciências, e talvez também devido a uma desilusão amorosa, Stradelli embarcou para o Brasil, chegando a Belém e depois a Manaus, escolhendo a Amazônia como cenário privilegiado para sua vida, suas pesquisas e seu compromisso cívico. Era uma época em que a floresta amazônica era, para nós, europeus, um imenso espaço de mistério, exploração e conquista, mas também um laboratório onde as contradições da modernidade eram medidas.
Nesse contexto, Stradelli não se comportou como um "conquistador", mas como um explorador atípico, poderíamos até dizer profundamente contemporâneo. Ele percorreu os grandes rios — o Rio Negro, o Purus, o Branco e o Vaupés — com um caderno de geógrafo, uma lente de fotógrafo e a sensibilidade de um antropólogo, coletando lendas, vocabulário e tradições orais, e documentando, com milhares de fotografias, o cotidiano dos povos indígenas. É considerado um dos pioneiros a retratar muitas comunidades nativas "em campo", não com um olhar exótico ou paternalista, mas com atenção respeitosa e empática.
Sua relação com o Brasil rapidamente se tornou definitiva: em 1893, naturalizou-se brasileiro, iniciou uma carreira como magistrado e atuou como defensor público em Manaus e outras cidades amazônicas, assumindo um papel de liderança nas instituições do país. Essa foi uma escolha radical: ele não era um visitante de passagem, mas um cidadão comprometido com a construção da justiça e a defesa de territórios e comunidades frequentemente marginalizados.
Paralelamente ao seu trabalho como explorador e magistrado, Stradelli foi um estudioso incansável. Talvez sua obra mais conhecida seja o extenso "Vocabulario portuguès-nheengatu, nheengatu-portuguès", fruto de décadas de paciente trabalho linguístico com populações de língua amazônica. Numa época em que a língua indígena era frequentemente vista como um obstáculo a ser superado, ele a abraçou como chave para um mundo cultural complexo, que merece ser compreendido e transmitido. Paralelamente ao dicionário, coletou lendas e contos — como os relacionados ao Jurupário — que, com o tempo, se tornariam textos fundamentais para a compreensão dos mitos amazônicos.
A biografia de Stradelli termina em 1926, numa colônia de leprosos perto de Manaus, onde passou seus últimos anos em condições de grande pobreza, porém cercado pelas comunidades amazônicas às quais nunca deixou de servir e estudar. Sua morte pode parecer trivial, mas, vista sob a ótica atual, revela uma escolha radical e coerente: permanecer próximo das pessoas e dos lugares que escolheu, mesmo quando o mundo mudava e o esquecia.
Cem anos após sua morte, graças ao empenho do Município de Borgo Val di Taro e do Conselho Regional da Emília-Romanha no Exterior, essa figura extraordinária foi lembrada em uma conferência que abriu as comemorações deste importante aniversário, com a participação da Universidade de Parma e da Sociedade Geográfica Italiana. Recordá-lo é também uma forma inteligente de revitalizar a cooperação científica com o Brasil na área ambiental, bem como de homenagear a memória da maior diáspora italiana do mundo.
Fabio Porta é deputado italiano do Partido Democrático, eleito na América do Sul; é Vice-presidente da Comissão Permanente sobre os Italianos no Mundo da Câmara dos Deputados da Itália.
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Dall'Appennino all'Amazzonia
Cento anni fa moriva a Manaus Ermanno Stradelli, uno dei primi grandi studiosi della foresta amazzonica.
La grande storia degli italiani in Brasile è segnata dal sacrificio di oltre un milione di donne e uomini che a cavallo tra l’Ottocento e il Novecento attraversarono l'oceano per fuggire dalla fame nella speranza di un futuro migliore. Si tratta di una storia ricca e complessa e non sempre lineare ed omogenea. Accanto al movimento migratorio popolare, anzi in parallelo con esso, sono arrivati in Brasile nello stesso periodo artisti, scienziati, religiosi e rivoluzionari. Storie individuali e storie collettive quindi, che insieme formano un puzzle straordinario che oggi fa del Brasile il più grande "paese italiano" fuori dall'Italia.
La storia di Ermanno Stradelli, emiliano nato a Borgotaro da una famiglia di antica nobiltà, è uno degli esempi più belli, e forse meno noti, dello spirito di intraprendenza di quanti ebbero il coraggio di lasciare le tranquille colline del nostro Paese alla ricerca di avventura ma anche del fascino di terre e popoli fino ad allora sconosciuti ai più.
Nel 1879, a soli ventisette anni, dopo aver concluso i suoi studi giuridici e scientifici e forse anche a causa di una delusione amorosa, Stradelli si imbarca per il Brasile e approda a Belém e poi a Manaus, scegliendo l'Amazzonia come luogo privilegiato della sua vita, della sua ricerca e del suo impegno civile. È un tempo in cui la foresta amazzonica era, per noi europei, un immenso spazio di mistero, sfruttamento e conquiste, ma anche un laboratorio dove si misuravano le contraddizioni della modernità.
In questo contesto, Stradelli non si comporta come un "conquistatore", ma come un esploratore anomalo, potremmo dire già allora profondamente contemporaneo. Attraversa i grandi fiumi - il Rio Negro, il Purus, il Branco, il Vaupés - con il taccuino del geografo, l'obiettivo del fotografo e la sensibilità dell'antropologo, raccogliendo leggende, vocaboli, tradizioni orali e documentando, con migliaia di fotografie, la vita quotidiana delle popolazioni indigene. È considerato fra i primi a ritrarre "sul campo" molte comunità native, non con sguardo esotico o paternalista, ma con un'attenzione rispettosa e partecipe.
Il suo rapporto con il Brasile diventa presto definitivo: nel 1893 si naturalizza brasiliano, intraprende la carriera di magistrato e lavora come promotore pubblico a Manaus e in altre città amazzoniche, assumendo un ruolo di responsabilità nelle istituzioni di quel Paese. È il segno di una scelta radicale: non è un visitatore di passaggio, ma un cittadino impegnato nella costruzione della giustizia e nella difesa di territori e comunità spesso marginalizzati.
Accanto all'attività di esploratore e di magistrato, Stradelli è un instancabile studioso. La sua opera forse più nota è il grande "Vocabulario portuguès-nheengatu, nheengatu-portuguès", frutto di decenni di paziente lavoro linguistico a contatto con le popolazioni di lingua generale amazzonica. In un'epoca in cui la lingua indigena è spesso considerata un ostacolo da superare, egli la assume come chiave di accesso a un mondo culturale complesso, che merita di essere compreso e tramandato. Accanto al vocabolario, raccoglie leggende e racconti - come quelle legate al Jurupary - che diventeranno, nel tempo, testi fondamentali per la conoscenza dei miti amazzonici.
La biografia di Stradelli si chiude nel 1926, in un lebbrosario vicino Manaus, dove trascorre gli ultimi anni in condizioni di grande povertà, ma circondato da quelle comunità amazzoniche che non ha mai smesso di servire e studiare. La sua è una fine apparentemente marginale, ma che, se guardata con gli occhi di oggi, ci parla di una scelta radicale e coerente: rimanere fino in fondo accanto alle persone e ai luoghi che aveva scelto, anche quando il mondo stava cambiando e lo dimenticava.
A cento anni dalla sua morte, grazie all'impegno del Comune di Borgo Val di Taro e della Consulta Regionale per gli emiliano-romagnoli all'estero, la figura di questo straordinario personaggio è stata ricordata in un convegno che ha aperto le celebrazioni per questa importante ricorrenza con il coinvolgimento dell'Università di Parma e della Società Geografica Italiana. Ricordarlo è anche una maniera intelligente per rilanciare la cooperazione scientifica con il Brasile in campo ambientale oltre che per rendere omaggio alla memoria della più grande diaspora italiana nel mondo.
Fabio Porta è deputato italiano del Partito Democratico, eletto in Sud America; è Vice Presidente del Comitato Permanete sugli Italiani nel Mondo della Camera dei Deputati
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