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Papa Francisco: no Vaticano, o partido de esquerda do Pontífice

Estará em curso um cisma na Igreja Católica, em vista das “surpreendentes” preferências políticas do Papa Francisco? Acompanhe o artigo de  Paolo Becchi, filósofo e acadêmico italiano, publicado no jornal Libero Quotidiano.

Do cardeal Ruini (Camillo Ruini, vigário-geral emérito da Diocese de Roma), ao Papa Francisco, das batalhas éticas às cruzadas anti-Salvini, do bispo Maggiolini (Alessandro Maggiolini  da diocese de Como, falecido em 2008), que defendeu a identidade cristã da Itália e advertiu contra o risco de uma "colonização islâmica", aos bispos que recitam o Alcorão e celebram o Ramadam nas igrejas como um sinal de integração. Como nunca, uma mudança radical da Igreja em relação à política italiana? Tenta dar uma resposta Americo Mascarucci, em seu livro: "La Chiesa nella politica. Come è cambiata la Cei da Ruini a Papa Francesco" (prefácio de Fabio Torriero, Historica, 166 páginas, 15 euros).

Mascarucci é jornalista e previu a eleição do cardeal Bergoglio como papa. Ele é redator político do jornal on-line Lo Speciale

Depois de ter trabalhado em uma monografia do papa Francisco, ele relata como mudou a face da CEI (a Conferência Episcopal Italiana, a assembléia permanente dos bispos italianos), após três pontificados e acontecimentos na liderança da Conferência Episcopal. 

Partindo de 1993, o ano do final da DC (Democrazia Cristiana), que foi seguido pelo advento de Berlusconi, Mascarucci traça a história da relação entre católicos e políticos, até as últimas eleições europeias, quando houve um choque aberto sem precedentes entre hierarquias eclesiásticas e um líder político, Matteo Salvini.

É no trabalho de Bergoglio que pretendemos, seguindo o autor, destacar a diversidade de abordagens políticas em relação aos seus antecessores. Muitas vezes eles fizeram escolhas políticas claras, mas sem nunca perderem seu papel de "líderes" da Igreja universal e sem nunca serem submetidos aos apitos nas praças, como aconteceu com o Papa Francisco durante algumas reuniões. João Paulo II era anticomunista, mas confiou a política externa ao principal defensor da Ostpolitik, o cardeal Agostino Casaroli, porque sabia muito bem que não poderia atuar como papa, como agira como arcebispo de Cracóvia. E no que diz respeito à política italiana, ele delegou ao CEI. Todos sabiam que o cardeal Ruini estava agindo em nome de João Paulo II, que lhe havia concedido "carta branca", e assim nenhum líder político se viu discutindo com o papa, que sempre manteve intacta sua "sacralidade".

Com Francisco, pela primeira vez, a Igreja, ao invés, foi percebida como um "partido político", uma espécie de costela da esquerda globalista que, como Mascarucci salienta, persegue como missão pastoral um programa político que rompe fronteiras, soberanias nacionais, as identidades dos povos, através desse processo migratório que deveria favorecer a contaminação entre culturas. Bergoglio, em várias ocasiões, interveio decisivamente contra a soberania, corroborando com a falsa propaganda Sorosiana que a une ao nacionalismo e até mesmo ao fascismo (obviamente imaginário), a ponto de afirmar que "os soberanismos levam automaticamente a guerras". E apontando para os líderes (Matteo Salvini, Donald Trump, Marine Le Pen, Viktor Orban) como "inimigos da paz" que se opõem às fronteiras abertas, desejam a proteção das fronteiras e o bloqueio da imigração ilegal.

Um pontífice que parece preferir o diálogo com o ateu e anticlerical Eugenio Scalfari (cofundador do jornal La Repubblica) ou com a abortista Emma Bonino (ex-ministra italiana, defensora do aborto e da eutanásia), ou com o católico Vittorio Messori, que adora aparecer com suas declarações de efeito nas primeiras páginas do La Repubblica, que ama os não crentes e despreza os católicos "tradicionalistas", aqueles que defendem o magistério e expressam dúvidas sobre certas aberturas progressistas. 

Anos-luz de distância é o confronto entre Joseph Ratzinger e Jürgen Habermas, um alto diálogo, elevado em espessura e temas, um confronto com as costas retas e sem rendição ou contradições. Onde Glauben und Wissen, fé e conhecimento, por manterem-se separados, conseguiram encontrar a síntese para alcançar objetivos comuns. E onde, ao contrário do diálogo entre Scalfari e Bergoglio - que se perdoe a comparação - não aparecia nem distantemente a aspiração perceptível de agradar o interlocutor ateu em seu desejo de questionar o magistério da Igreja e os dogmas da fé, abraçando o relativismo ético e o pensamento único laicista.

Em resumo, o que se destaca é a existência na Igreja de um "cisma silencioso" entre hierarquias e fiéis cada vez mais distantes do sentimento comum, sobretudo de cardeais e bispos; um "cisma" que se manifestou durante as últimas eleições europeias em favor da Lega de Salvini, que contou com o apoio de um vasto eleitorado católico, constituído não apenas mas também pelos movimentos que animaram as praças do Dia da Família em defesa da família natural e contra as leis pró LGBT; assim como nos Estados Unidos, ele se manifestou na época com o voto da maioria dos católicos americanos em relação a Donald Trump. O poder de persuasão que Ruini exerceu sobre o eleitorado católico, orientando amplamente suas preferências, hoje deu lugar à completa desconfiança do que, em certos círculos, agora é chamado de "Igreja de Scalfari". Quem nos salvará dessa deriva?  (Libero Quotidiano, di Paolo Becchi, filosofo e acadêmico italiano)