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Cidadania: Os riscos da via administrativa presencial na Itália

É seguro atualmente buscar o reconhecimento da cidadania italiana em um Comune, pela via administrativa presencial, com o auxílio de um assessor na Itália? O que realmente significa a expressão “falsa residência”? Qual a real diferença entre assessores, consultores e “coyotes”?

Inicialmente, é importante destacar que em 2016, 2017, 2018 e neste ano de 2019, vários coyotes que atuavam com a tal “via administrativa presencial na Itália”, em esquemas criminosos, envolvendo servidores públicos italianos corruptos, foram presos e diversas investigações foram deflagradas.

Essas quadrilhas criminosas chegavam a fazer de 500 a 1.200 processos por ano, num só Comune ou Provincia. Melhor exemplo são os escândalos de Ospedaletto Lodigiano, Verbania e Novara. No primeiro, 1.188 práticas de cidadania anuladas e, no segundo, 800 práticas de cidadania em investigação

De acordo com notícias veiculadas na imprensa italiana e investigações noticiadas pela Polizia di Stato na Itália, esses coyotes faziam, em alguns casos, de 50 a 90 processos de residência, por mês, simultaneamente, num único imóvel. Totalizando uma média de 600 a 1.000 práticas por ano, numa mesma cidade. 

Após ampla investigação realizada pela Questura, Polizia di Stato e Guardia di Finanza, em toda a Itália, descobriu-se que, na maioria dos casos, o Comune é utilizado pelo coyote como uma empresa da organização criminosa, em parceria com servidores públicos aliciados. O esquema opera na Itália com o pagamento de propina a servidores públicos e policiais italianos corruptos, numa rede transnacional de tráfico de influência que usa, inclusive, documentos adulterados e residências falsas, por todo o país. 

Sendo assim, com base nessas considerações, nos dias de hoje, quais são as implicações e os riscos de se buscar o reconhecimento da cidadania italiana, pela via administrativa presencial, com o auxílio de um assessor na Itália?

Inicialmente, cabe destacar o que indica e prevê o próprio manual usado pelos chefes do Ufficio di Stato Civile e do Ufficio Anagrafe na Itália, de nome Gli stranieri e l’anagrafe - Guida pratica per l’iscrizione anagrafica dei cittadini comunitari ed extracomunitari, escrito por Romano Minardi e Liliana Palmieri:

Innanzi tutto occorre chiarire che, dovendo l´eventuale possesso dello status civitatis italiano, essere certificato dal sindaco del comune italiano di residenza, potrà essere avviato il relativo procedimento su istanza degli interessati, solo ove costoro risultino scritti nell’anagrafe della popolazione residente in un comune italiano.

É de conhecimento público e notório que a maioria esmagadora dos coyotes que ainda atuam na Itália com cidadania italiana trabalham de forma ilícita e em desacordo com as leis italianas. Como operam na “zona cinzenta”, não divulgam em lugar algum, muito menos em seu próprio site ou Facebook pessoal, as suas fotos, o seu nome, o seu endereço ou os dados de sua suposta empresa italiana, até mesmo porque a maioria sequer possui empresa registrada na Itália. 

Além disso, os coyotes não emitem fatura italiana dos serviços prestados, e nem poderiam, já que atuam na ilegalidade e não têm sequer uma empresa registrada na Itália. Em alguns casos, apurou-se que o número da Partita Iva (CNPJ) e do Codice Fiscale (CPF) italianos, indicados nos contratos celebrados, eram falsos. É possível verificar a veracidade das informações e nesses vídeos qualquer interessado poderá facilmente conferir: Partita Iva https://youtu.be/U1ayQgc-r-U  e Codice Fiscale https://youtu.be/zRPtR6Mp_hU     

Afora o risco de se contratar coyotes que atuam na ilegalidade e cometem crimes na Itália, podendo o cliente ser enquadrado como partícipe no crime pela Procura Della Repubblica italiana, quem se aventura a fazer, no momento atual, a prática de cidadania pela via administrativa presencial na Itália precisa se preparar financeiramente, já que não é possível trabalhar legalmente no curso do processo e caso seja pego em situação de trabalho ilegal na Itália a prática poderá ser cancelada

Outra situação a superar é a extrema má vontade dos servidores públicos italianos (não todos, obviamente) que trabalham nos Comuni, bem como os abusos, por parte da polizia municipale (vigile urbano), quanto ao controle arbitrário e xenofóbico da presença e da residência na Itália. Isso se deve ao elevado número de escândalos, envolvendo cidadãos ítalo-descendentes, veiculados pela imprensa, em todo o país. 

Há, também, os excessos, por parte de alguns servidores públicos italianos, no tocante à cobrança de documentos desnecessários, como é o caso da certidão de óbito e, ainda, negativa de certidões (com mais de 100 anos de idade), com irrisórios erros de grafia que em nada comprometem o direito e em perfeito estado e condição e aceitação. Tudo isso, somado à demora na feitura e conclusão do processo, sem respeito aos prazos previstos em lei, podendo se estender por longos seis a doze meses. Inúmeros obstáculos são criados, atualmente, dificultando e muito a via administrativa.

Um problema recente que temos visto é a quantidade de “agências” ilegais e clandestinas de locação de quartos e de apartamentos na Itália. Para fugirem das denúncias nas redes sociais e da exposição negativa da atividade de “assessor” na Itália, que se encontra em profundo desgaste e desvalorização, muitos coyotes estão noticiando que “não trabalham mais” como assessores na área da cidadania italiana na Itália, mas que são corretores de imóveis. O esquema, entretanto, é o mesmo, mas com outro nome. Mais uma tentativa criminosa de burlar a lei, apenas isso! 

Para exercer essa profissão na Itália, a pessoa precisa ser inscrita no órgão de classe, passar por provas, superar exames, conhecer o idioma italiano em nível C1, atuar no período probatório sob supervisão, abrir uma empresa junto a Agenzia delle Entrate, se inscrever na Camera di Comercio e emitir faturas italianas dos honorários recebidos. Praticamente, todas as agências de “corretagem” de imóveis no Facebook, controladas por brasileiros, são ilegais. É mais uma atividade ilícita criada pela máfia da cidadania italiana.  

Assim, desaconselho, veementemente, a tentativa de se fazer o processo de reconhecimento da cidadania italiana iure sanguinis pela via administrativa presencial na Itália, seja sozinho ou com o auxílio de coyotes (ilegalmente), uma vez que, além dos problemas acima apontados, o cidadão ítalo-descendente poderá, em caso de comprovada corrupção e facilitação, responder também criminalmente na Itália por corrupção ativa e falsidade ideológica, caso o coyote contratado possua algum tipo de esquema criminoso de favorecimento, com funcionários do Comune, onde a prática foi realizada.

Para quem não abre mão da via administrativa presencial e deseja morar na Itália de verdade, o único caminho seguro é fazer o processo sozinho e alugar uma residência legalmente em seu nome, abrindo um processo oficial de residência e cumprindo, literalmente, tudo o que determina a lei. Respeitar todos os prazos e exigências e ter muita paciência.

As pessoas devem ter muito cuidado com grupos de Facebook e de WhatsApp que tratam de cidadania italiana, pois a grande maioria existe tão somente para captar serviços para coyotes na Itália, como uma rede de pesca. Infelizmente, pessoas inescrupulosas transformaram nosso “direito de sangue” em mercadoria vendida num balcão de negócios, num mercado corrupto, sujo e inescrupuloso, em troca de elevadas comissões por indicação, com a falsa impressão de “grupos de ajuda”. 

O que realmente significa a expressão “falsa residência” na Itália?

De acordo com o entendimento majoritário e que prevalece junto à maioria esmagadora dos Comuni na Itália, residência é o local onde o cidadão fixa a sua dimora. Não tem relação alguma com o conceito que temos no Brasil e não se parece, em nada, com o nosso instituto. 
Inclusive, cabe destacar que na Itália temos também o domicílio (imóveis cadastrados com finalidade não residencial), que se difere e muito da residência (imóveis cadastrados com finalidade residencial). Importante é que as pessoas entendam que quem está enquadrado na situação senza fissa dimora, não pode fazer o processo na Itália pela via administrativa presencial no Comune, uma vez que sem estar inscrito anagraficamente em um Comune, não há como deflagrar o processo de riconoscimento di cittadinanza italiana iure sanguinis

Assim, vale ressaltar, em primeiro lugar, a importância da residência para se fazer o processo de reconhecimento de cidadania italiana iure sanguinis, em um Comune na Itália e, para isso, temos que analisar e definir exatamente o que é a tão falada dimora, ligada ao conceito de residência na Itália.

Recorro mais uma vez ao manual usado pelos chefes de Ufficio di Stato Civile e de Ufficio Anagrafe na Itália, chamado Gli stranieri e l’anagrafe - Guida pratica per l’iscrizione anagrafica dei cittadini comunitari ed extracomunitari, escrito por Romano Minardi e Liliana Palmieri, que diz:

Peraltro, l’iscrizione anagrafica di queste persone, entrate in Italia con passaporto straniero, deve seguire le modalità disciplinanti l’iscrizione nell’anagrafe della popolazione residente degli stranieri e presuppone, da parte degli interessati, l’espletamento degli adempimenti di cui alle disposizione vigente in materia. Si soggiunge, altresì, che qualora l’iscrizione anagrafica delle anzidette persone non risultasse possibile in quanto costoro non possono annoverarsi tra la popolazione residente secondo la nozione di cui all’art. 3 del d.P.R. 30 maggio 1989, n. 223, la procedura su apposita istanza, dalla rappresentanza consolare italiana competente in relazione alla località straniera di dimora abituale dei soggetti rivendicanti la titolarità della cittadinanza italiana. 

Em todos os manuais italianos que tratam do processo de reconhecimento de cidadania italiana iure sanguinis, os termos dimora abituale ou dimora sempre aparecem vinculados a residência. Vamos lá, então, acabar com essa dúvida. 

O entendimento subjetivo desse instituto, por parte dos responsáveis pelo Ufficio Anagrafe e Ufficio di Stato Civile na Itália é que residência é o local onde o cidadão decidiu se estabelecer com sua família ou sozinho, habitar, viver, mas de forma verdadeira, definitiva (mesmo que temporariamente)! 

Ouve-se, com certa frequência, a seguinte afirmação: quem reside ou vive em um lugar, obviamente, frequenta a padaria, o supermercado, a farmácia, os cafés, os restaurantes, participa de eventos sociais e exerce algum tipo de atividade na cidade, seja de estudo ou de trabalho, como fazer um curso de idioma, de culinária, ou ir a uma academia de ginástica. E essas atividades diárias, semanais e mensais, logicamente, já que vivemos em sociedade, leva as pessoas a conhecerem outras pessoas, a fazerem amizade na comunidade e até serem, de certa forma, conhecidas pelos vizinhos e nos comércios locais.

Sob esse prisma, qual é o problema da falsa residência? Em quais casos a polizia municipale italiana considera falsa a residência? Por que tantas residências têm sido negadas e por que tantas práticas de cidadania têm sido anuladas na Itália? Muitas pessoas têm contratado os conhecidos coyotes na Itália. Na maior parte das vezes, esses intermediários são brasileiros e brasileiras que alugam apartamentos na Itália e vão colocando pessoas nesses imóveis, indiscriminadamente, por poucos dias (apenas o necessário para a visita do vigile urbano), a fim de que seus clientes tenham a inscrição anagrafica deferida e possam fazer o processo em uma determinada cidade (Comune).

O problema central desse método, muito utilizado pelos coyotes na Itália e seus clientes, é que a pessoa simplesmente nunca residiu de verdade no imóvel. Ninguém a conhece, nenhum vizinho, e não possui vínculo algum na cidade, seja pessoal, social ou profissional. Na verdade, na maioria das vezes, essas pessoas ficam na cidade e nos apartamentos dos coyotes por um, três ou cinco dias, apenas. 

Mais sério ainda é constatar que, nesses casos, pela celeridade da prática de residência, que em média demora 45 dias, há grandes indícios de corrupção ativa e passiva: e o vigile urbano (policial municipal) controla a residência e a aprova, mesmo sabendo que a pessoa não reside e nem residirá naquele imóvel, tudo em tempo recorde porque recebe propina do coyote para fazê-lo. E para agravar ainda mais a situação, nestas ocorrências de corrupção e facilitação, a metragem quadrada mínima permitida (25 m2) por pessoa não é respeitada. E chegam a inscrever anagraficamente como residentes num imóvel até 200 (duzentas) pessoas, simultaneamente. 

O imóvel precisaria ter 5.000 m2. E mesmo assim, se isso fosse possível, o que obviamente não é, já que a maioria dos imóveis na Itália tem entre 30 e 80 m2, para inscrever outras pessoas seria necessário aguardar a conclusão total, com o efetivo registro dessas 200 pessoas no AIRE, para a partir daí inscrever novas residências. Falsa residência é isso, simples assim! E na verdade, nesses casos, as pessoas nunca residiram de verdade na Itália, elas apenas fingiram residir num imóvel onde nunca estabeleceram as suas residências, mesmo que provisoriamente e ao menos pelo tempo de tramitação da prática. 

Existem casos de residências e práticas de cidadania anuladas (já são 6.000 práticas de cidadania italiana iure sanguinis canceladas por fraude), em que as pessoas nunca pisaram na Itália, quiçá em um Comune

Essas pessoas, infelizmente, não são vítimas, pois aceitaram um esquema que deu errado e em alguns casos eram até cúmplices do coyote, em seus esquemas criminosos, tentando burlar as leis na Itália. Hoje, a lei está disponível e ao alcance de todos. Haja vista, ainda, que ninguém pode argumentar desconhecimento de lei em qualquer parte do mundo para se eximir de responsabilidade. 

Não seria falsa residência em um Comune na Itália o local onde a pessoa residiu de verdade, ou seja, viveu de verdade na cidade, residência onde está inscrita anagraficamente, habita, mora, reside e faz seu café da manhã, seu almoço, dorme, estuda, trabalha, lava suas roupas, frequenta o comércio, paga contas, tem conta no banco, vai ao supermercado, vai à padaria, vai à farmácia, frequenta os bares, cafés, restaurantes, conhece os vizinhos, faz amigos, os filhos frequentam a escola, vai à academia de ginástica, vai à livraria, vai à tabacaria, tem as contas de telefone, gás, água e luz no seu nome, o contratto di affitto é em seu nome ou está registrado no de uma pessoa que vive no mesmo imóvel, a metragem quadrada mínima permitida por pessoa foi respeitada, o italiano proprietário do imóvel autorizou a inscrição como residente e o mesmo está registrado na Agenzia delle Entrate. 

Isso é dimora abituale! Poderia dar milhares de exemplos e, ao certo, todos sabem exatamente o que é residir de verdade em um local, mesmo que por um curto espaço de tempo (três, seis ou doze meses), e o que é fingir residir em um local. A diferença é enorme!

Qual a real diferença entre assessores, consultores e “coyotes”?

Os termos assessor ou consultor são antigos e o tratamento coyote surgiu recentemente e tem sido muito usado para designar os maus assessores, os trambiqueiros e picaretas que atuam na ilegalidade, e tem ganhado muita força nas mídias e nas redes sociais.   

O mundo da cidadania italiana passa por uma crise sem precedentes e nunca tivemos tantos escândalos evolvendo cidadãos ítalo-descendentes, na Europa e no Brasil. Já foram canceladas na Itália 6.000 práticas de cidadania italiana, num prejuízo a essas famílias (honorários e despesas) que já ultrapassa a cifra exorbitante de 48.000.000,00 milhões de euros, ou seja, aproximadamente 240.000.000,00 milhões de reais. 

Em 2018, circulava a notícia que estavam sob investigação na Itália 80 empresas de assessoria que seriam as maiores em atividade no país. Algumas delas com dezenas de apartamentos e o movimento de centenas de pessoas por ano. Se isso se confirmar, e vem sendo confirmado dia-a-dia com novos escândalos e prisões, poderiam ser canceladas, ainda, nos próximos anos, em torno de mais 50.000 mil práticas de cidadania italiana feitas com fraudes na Itália, com um prejuízo às famílias de, aproximadamente, 400.000.000,00 milhões de euros, ou seja, 2 bilhões de reais! Isso só na Itália, fora o que o interessado no esquema gasta com o braço da máfia no Brasil.

Nesse mercado multimilionário, o que se vê diariamente é um controle criminoso da informação. Os coyotes e assessores que comandam o mercado usam livremente as redes sociais (Facebook, Instagram e WhatsApp) para a execução dos seus crimes. São usados, sistematicamente, falsos “grupos de ajuda”, como verdadeiras redes de pesca. Quem denuncia tem seu post apagado nesses falsos grupos de ajuda e a pessoa é expulsa do grupo. Escondem os escândalos para continuarem aplicando golpes

Nesse esquema inescrupuloso, a máfia da cidadania italiana usa centenas de perfis falsos (Facebook) e telefones falsos (WhatsApp), fake news, fotos e depoimentos de falsos clientes. Usam diariamente, 24 horas por dia, dezenas de falsos “grupos de ajuda” no Facebook, alguns com dezenas de milhares de pessoas, para captarem serviços ilícitos. Nasceram apenas para apoiar um business e não ajudar as pessoas! Exemplo maior do esquema é o grupo Área Livre, que conta com 150 mil inscritos. Sendo que neste grupo captavam e captam serviços, todos os dias, livremente, todos os assessores já presos e nesse momento denunciados e investigados na Itália.  

Triste é ver palestrantes e pessoas conhecidas nas redes sociais, que foram intituladas pela própria “rede de pesca” e pela própria máfia como sendo “especialistas em cidadania italiana”, darem “aula” sobre o ordenamento jurídico italiano e brasileiro, sem nunca terem sentando num banco de faculdade ou terem estudado Direito no Brasil ou giurisprudenza na Itália. Esses falsos “profetas da cidadania” têm ajudado no processo de enganação, conquista de confiança e de induzimento a erro das pessoas nas redes sociais e em eventos. Inclusive com o oferecimento e a venda de palestras e cursos online no já conhecido sistema “formula de lançamento” e que prometem facilidades às pessoas e ensinam a interessados como burlar as leis na Itália, numa estratégia espúria e inescrupulosa. 

Coyotes são simplesmente aquelas pessoas que fazem tudo por dinheiro em matéria de cidadania italiana, são criminosos que facilitam o processo no Brasil e na Itália, atuam com falsa residência na Itália, ajudam na produção de documentos falsos, com esquemas de facilitação, corrupção ativa, corrupção passiva, evasão de divisas, lavagem de dinheiro, tráfico internacional de pessoas, chantagem, extorsão, em alguns casos tráfico internacional de drogas e até favorecimento à prostituição. Atuam na ilegalidade e de forma criminosa. Não mostram seus rostos publicamente, se escondem, usam perfis falsos nas redes sociais, ninguém sabe seus nomes verdadeiros ou seus endereços profissionais. Quando o assessor ou consultor passa a atuar na Itália ou no Brasil, utilizando o mesmo modus operandi criminoso dos coyotes, ele passa a ser considerado também um coyote, e não mais um assessor ou consultor.

O conceito hoje utilizado para assessores e consultores, “não coyotes”, diferente daquele usado nos últimos anos, é de que são pessoas que atuam, em tese, na legalidade no mundo da cidadania italiana, seja no Brasil ou na Itália. Entretanto, em matéria de cidadania italiana, achar um assessor ou uma assessora que atue honestamente no Brasil ou na Itália, é como “encontrar uma agulha num palheiro”, missão extremamente difícil. A ampla maioria age na ilegalidade, porque o esquema ilícito existe!

Muitos operam como intérpretes, dão orientação (não jurídica, a não ser que seja advogado) a respeito da prática, explicam como organizar os documentos para o processo, auxiliam na busca de documentos, ensinam o cliente como alugar uma casa e fazer tudo dentro da lei, ajudam a pessoa na Itália dando a ela auxilio e ajuda dentro da lei, orientam como deflagrar o processo de residência e de cidadania na Itália e como fazer seu próprio processo sozinho. Essas pessoas têm uma empresa registrada, seja no Brasil ou na Itália, emitem notas fiscais dos valores recebidos e pagam impostos. Esses “sim” seriam os legítimos assessores. As pessoas sabem quem são esses assessores ou quem eram, onde atuam ou atuavam, como trabalham ou trabalhavam e o endereço de suas empresas. Afinal de contas, quem atua na legalidade não precisa se esconder, mostra a cara e a vida é um livro aberto!

Enfim, entendo que os cidadãos de sangue italiano, com sua cidadania reconhecida ou não, devem ficar muito atentos e se unirem contra as ilegalidades, desmandos e essas aberrações que vêm ocorrendo.  

A cada novo escândalo, aumentam ainda mais as exigências da administração pública italiana. A cada novo escândalo, aumenta ainda mais a dificuldade para os cidadãos ítalo-descendentes reconhecerem seus direitos, não só na Itália, mas em toda Europa.  A escalada dos crimes e golpes na cidadania italiana preocupa e muito. Se isso não parar, há risco inclusive de tentarem na Itália, através de um remendo político inconstitucional e ilegal, suprimirem nossos direitos. 

É chegada a hora da união, da moralização, do combate à máfia, de enfrentarmos os coyotes, de denunciarmos as ilegalidades, de defendermos as histórias de nossas famílias, de dizermos não à mercantilização da cidadania italiana e do direito iure sanguinis. 

Venha fazer parte da Corrente do Bem no YouTube contra a máfia da cidadania italiana. Inscreva-se no canal. Aqui você tem informação gratuita e de qualidade. Venha conhecer também o site do meu escritório de advocacia na Itália: https://www.advscarpelli.it . Atuação na cidadania italiana no Tribunal ordinário de Roma, na Itália, 100% dentro da lei, nas vias judiciais materna e paterna.

Existem três caminhos para se buscar o reconhecimento da cidadania italiana iure sanguinis:

O primeiro e mais demorado, podendo chegar a uma espera de dez a quinze anos, é procurar o Consulado da Itália no Brasil ou em qualquer parte do mundo, onde você tenha residência legal e oficial. 

O segundo, mais econômico e seguro, é abrir um processo no Tribunal Ordinário de Roma, seja na via materna judicial ou paterna judicial. Lembrando que, dizer que um processo de reconhecimento de cidadania italiana iure sanguinis só pode ser feito pela via administrativa, é uma mentira, uma falácia, uma fake news criada pela máfia e pelos coyotes. Qualquer cidadão tem o direito constitucional e sagrado de levar seu pleito à justiça, onde quer que seja, ainda mais quando a administração pública italiana não respeita as leis. E os juízes na Itália, do Tribunale Civile di Roma, têm acatado todos os pedidos. 

Inclusive, vale frisar que para abrir um processo judicial em Roma não é necessário estar na fila do consulado há dois anos. Outra fake news grosseira criada pelos coyotes e pela máfia. Fato é que, por esta via legal, um juiz italiano do Tribunal de Roma julgará seu pedido e pronunciará uma sentença. Uma vez reconhecido pela via judicial seu direito e passada em julgado a sentença de mérito, a cidadania italiana reconhecida é irreversível e para toda a vida. Uma das grandes vantagens da via judicial em Roma é poder fazer o processo para a família (várias pessoas, irmãos, pai, mãe, tio, tia, primo, prima, filhos e netos), onde o valor dos honorários advocatícios e as despesas podem ser rateados entre todos os familiares. Isso, obviamente, torna o processo de cidadania extremamente viável, economicamente, para todos.

O terceiro, aparentemente mais célere, porém mais caro e mais arriscado, é fazer o processo na Itália pela via administrativa. Os obstáculos e inconvenientes são vários: além de ter que superar as questões de logística, como alugar um imóvel no exterior e se transferir para outro país, tem a dificuldade com o idioma, a incerteza no prazo de conclusão, que é indefinido (a critério discricionário da administração pública), a impossibilidade de trabalhar legalmente na Itália ou trazer o cônjuge consigo, no curso do processo (não tem como obter o visto para o marido ou a esposa por prazo superior a 90 dias), a prática de residência pode ainda ao final ser negada, de acordo com entendimento subjetivo do vigile urbano e do oficial do oficial do Ufficio Anagrafe e, ainda, ser o procedimento de cidadania rejeitado pelo chefe do Ufficio di Stato Civile do Comune, onde tramita o processo.

Enfim, sugiro a todos que se mantenham informados, não caiam em golpes de coyotes, não sejam vítimas de promessas fáceis (nada é fácil nessa vida), não caiam em golpes de vendedores de cursos online “faça você mesmo” disponíveis na Internet, não comprem a falsa ideia amplamente difundida nas redes sociais (Facebook, WhatsApp e YouTube) pela máfia da cidadania italiana de que tudo “é tranquilo” ou “é tudo fácil” na Itália. Pelo contrário, começar uma vida em outro país, com outro idioma, outros costumes, outros princípios, outras leis, outros valores, é muito difícil e exige preparação. Realize os seus sonhos dentro da lei e não seja mais uma vítima da máfia da cidadania italiana e dos coyotes! Sonhos podem ser realizados, na legalidade!

Luiz Gustavo Scarpelli dos Santos Reis, advogado e cidadão ítalo-brasileiro com atuação em cittadinanza italiana per i cittadini di ceppo italiano nati a l’estero (Brasile, Argentina e Stati Uniti) e legge sull’imigrazzione. Inscrito no Brasil nos Conselhos da Ordem dos Advogados de MG, SP, RJ, ES e GO. Membro e jurista do IAMG – Instituto dos Advogados de Minas Gerais, Brasil. Na Europa é Membro do Council of Bars and Law Societies of Europe. Na Itália é avvocato stabilito iscritto nell’Albo della Ordine Degli Avvocati di Roma. Em Portugal é advogado inscrito no Conselho de Lisboa da Ordem dos Advogados Portugueses. Idealizador da “Corrente do Bem” que combate a pirataria e as máfias que atuam na ilegalidade no mundo da cidadania italiana, no Brasil e na Itália, já tendo orientado gratuitamente milhares de pessoas.

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