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Renata Bueno avalia “fim trágico” do Movimento 5 Estrelas na Itália 

A renúncia de Luigi di Maio, da liderança do Movimento 5 Estrelas, constitui o fim trágico de uma organização política que possuía um princípio interessante, de surgir na Internet com a proposta de discussões abertas e democráticas. O fato também evidencia que os partidos tradicionalistas, na Itália, apesar de serem tão criticados e julgados pela população, ainda são os que mantêm os seus princípios, a sua linha de trabalho e inclusive a seriedade. 

A opinião é da ex-deputada italiana pela América do Sul, a advogada Renata Bueno, acerca da decisão do atual ministro das Relações Exteriores da Itália, Luigi Di Maio, de deixar o comando do Movimento 5 Estrelas (M5S), após acumular resultados eleitorais ruins, alianças duvidosas e pressões internas. A resolução de Di Maio foi oficializada, na última quarta-feira (22). O vice-ministro do Interior, Vito Crimi, assumiu interinamente a direção do partido, até que o nome de um novo líder seja definido. O M5S é o maior partido da base aliada do primeiro-ministro Giuseppe Conte.

“Na eleição em que participei em 2013, os propósitos do Movimento 5 Estrelas eram muito interessantes, mas é claro que durante o mandato nós já vimos toda uma falta de preparo e uma falta muito maior de proposições para solucionar tamanhas críticas que eles tinham perante o governo”, assinala Renata Bueno. “Durante todo o governo, de 2013 a 2018, eles criticavam tudo, inclusive com críticas baixas e não construtivas, o que ajudou a oxigenar um pouco a política, mas que nunca levou  a soluções e  propostas que dessem alternativas para melhorar a situação da Itália”, acrescenta.

Luigi Di Maio, 33 anos, tornou-se líder do Movimento 5 Stelle, em setembro de 2017, por obra de uma consulta feita pela Internet. Em vista de os demais candidatos serem pouco conhecidos, e ele manter relação estreita com o fundador da sigla, Beppe Grillo, praticamente não houve disputa. Após assumir o comando do partido, nas eleições seguintes, em 2018, Di Maio teria sido decisivo para colocar o movimento no topo dos mais votados na Itália, com 32% dos votos. 

“Então, quando eles chegam ao governo, em 2018, como todos estão comentando, primeiro se abraçaram com a extrema-direita, depois com a esquerda, sem trazer realmente à tona o que eles tanto pregavam quando na oposição”, analisa Renata Bueno. “De fato, é um movimento que está se dilacerando. Um líder que sempre demonstrou não ser preparado para desempenhar uma liderança importante. Nunca soube conduzir governos”, acrescenta a ex-deputada. “Ele conduzia críticas, Internet, populismo, isso ele conduzia bem. Agora, liderança de governo, ele nunca teve de verdade. Hoje, o Movimento 5 Estrelas está, realmente, mostrando não ter estrutura, não ter alma e com isso ele se desmancha facilmente”, finaliza.