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Brasil quer exportar mais vinho para Alemanha

Por Geraldo Hoffmann

Embaixada em Berlim tenta consolidar imagem do país como produtor confiável de vinhos finos de alta qualidade. Classificação de origem controlada beneficiará cinco regiões.

O Brasil já produz vinhos premiados internacionalmente, mas ainda não aparece ao lado da Argentina, do Uruguai e do Chile no mapa dos países produtores da América do Sul divulgado no exterior. Para mudar essa situação, a Embaixada do Brasil em Berlim lança, nesta quinta-feira (25/11), uma ofensiva destinada a aumentar as exportações de vinhos finos brasileiros para a Alemanha e a União Européia.

Com uma área cultivada de cerca de 50 mil hectares, a produção anual brasileira oscila em torno de 360 milhões de litros, dos quais o Brasil exportou em 2003 o equivalente a 220 mil dólares. De janeiro a setembro de 2004, as exportações somaram 312 mil dólares, principalmente para os Estados Unidos e Japão. Apenas 10% deste total foram para países da UE.

Segundo o diretor do Setor de Promoção Comercial (Secom) da embaixada, secretário Rodrigo Carvalho, comparando com os dados de 2002, quando as vendas ao exterior foram de 193 mil dólares, "é evidente o avanço das exportações brasileiras, ainda que o volume não seja muito grande". A previsão é de um crescimento de 60% até 2006, chegando a um total de 400 mil dólares.

Melhora técnica

Para a Alemanha, foram vendidas aproximadamente 20 mil garrafas, nos primeiros dez meses de 2004. "É uma participação ainda relativamente pequena. Isso evidencia que existe um grande potencial para as exportações brasileiras, que ainda precisa ser explorado", diz Carvalho.

Segundo ele, a melhora técnica do vinho brasileiro motivou o governo a apoiar a consolidação da imagem do Brasil como produtor confiável de vinhos finos. Para isso, foi criado um projeto setorial integrado, administrado pelo Ministério da Indústria e do Comércio, pela Agência Brasileira de Exportações (Apex) e pelo Instituto Brasileiro do Vinho, apoiados pelos setores de promoção comercial das embaixadas do Brasil no exterior.

Nicho de mercado

A estratégia inicial será explorar um nicho de mercado, o dos vinhos do Novo Mundo, concorrendo com produtos oriundos da Austrália, Estados Unidos, África e Chile.

Para o evento em Berlim foram convidados representantes da imprensa especializada alemã, de grandes cadeias varejistas e atacadistas, bem como lojas especializadas na comercialização de vinho finos. "A idéia é trazer uma parcela de formadores de opinião que podem disseminar informações sobre a qualidade e difundir a boa imagem do vinho brasileiro que nós queremos consolidar", explica Carvalho.

Do lado brasileiro, está representada a vinícola Miolo, maior exportadora do produto no país, que obteve 90 premiações na Europa e já vende produtos para a Alemanha. Segundo Morgana Miolo, em 2003 a vinícola exportou 50 mil garrafas para os EUA, Canadá, Suíça e República Tcheca, "o que representa 377% a mais do que em 2002". A Miolo pretende encerrar o ano de 2004 com a exportação de 130 mil garrafas, das quais cerca de 50 mil para o mercado europeu.

Qualidade de origem controlada
 
Segundo Carvalho, não existem mais restrições aos modos de produção nem barreiras alfandegárias ou de caráter fitossanitário ao vinho brasileiro na Europa. O país já exporta para Itália, Portugal, França e Suíça, mas ainda enfrenta um obstáculo legal.

"Como a denominação de origem controlada brasileira ainda não é reconhecida em termos amplos pela União Européia, é preciso que o país caminhe nessa direção, a fim de prover a documentação necessária para comprovar que é um produtor confiável e eficiente de vinhos finos. Isso ainda limita o acesso a determinadas parcelas do mercado que poderiam ser interessantes. Mas esse problema deverá ser resolvido em breve", diz Carvalho.

Com a perspectiva de usar denominações de origem controlada, cinco regiões do Brasil poderão ser destacadas no cenário internacional como produtoras de vinhos com características muito peculiares: Vale dos Vinhedos (RS), Vale do Rio São Francisco – que chega a ter duas safras de uva ao ano –, Campos de Cima da Serra (RS), Campanha (na divisa com o Uruguai) e Serra Gaúcha.

Antes de iniciar a ofensiva do vinho, a Embaixada do Brasil em Berlim já apresentou outros produtos, como peixes de água doce e frutas, na Alemanha. Num próximo evento do gênero, o Secom pretende promover os vinhos das seis vinícolas que participam do projeto setorial integrado: Aurora, Casa Valduga, De Lantier, Lovara, Miolo e Salton.