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Crescem os investimentos europeus no Brasil

O investimento direto dos países europeus no Brasil crescerá este ano após dois períodos de fortes quedas, informou esta semana em São Paulo a Associação de Câmaras de Comércio Européias (Eurocâmaras).

Segundo um estudo divulgado pela entidade na abertura do II Fórum Europeu de Câmaras de Comércio, o investimento direto dos países europeus no Brasil nos primeiros oito meses deste ano foi de três bilhões de dólares, e a perspectiva é de que antes do fim do ano supere os 3,6 bilhões de dólares de 2003.

Nesse cálculo estão incluídos os investimentos da Suíça, país que não faz parte da União Européia (UE).

O estudo, elaborado pela Eurocâmaras com base em dados do Banco Central, apontou que o investimento direto europeu no Brasil, que em 2001 foi de 11,2 bilhões de dólares, caiu para 10,7 bilhões de dólares em 2002 e caiu drasticamente em 2003.

"Nos últimos anos houve uma retração mundial dos investimentos estrangeiros no Brasil, mas agora acreditamos no regresso dos investimentos", disse o presidente da Eurocâmaras, Yves Jadoul.

Ele explicou que a queda do investimento estrangeiro no Brasil nos últimos anos foi influenciada pelo fim da bonança das empresas de tecnologia e internet cotadas no índice Nasdaq de Nova York, pelos atentados de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos e os escândalos contábeis de grandes corporações, mas esclareceu que esses fatores foram superados.

"Os empresários europeus têm mais confiança na economia brasileira e, principalmente, os empresários brasileiros têm mais confiança em sua própria economia, aspecto que não existia até recentemente", acrescentou Jadoul.

Os países europeus que mais investiram no Brasil até agosto deste ano foram Alemanha (668 milhões de dólares), Luxemburgo (454 milhões de dólares) e Espanha (400 milhões de dólares).

Outros grandes investidores no Brasil são França (242 milhões de dólares), Itália (233 milhões de dólares) e Suíça (123 milhões de dólares).

Jadoul destacou o caso da Áustria, que deu um salto em seus investimentos no Brasil, pois passou de 11 milhões de dólares destinados ao país em 2003 para 89 milhões de dólares em só oito meses de 2004.

Em situação parecida está a Suécia, cujo investimento duplicou de 43 milhões de dólares em 2003 para 86 milhões de dólares até agosto deste ano.

"Notamos grande interesse desses países em investir em setores como os de papel e celulose, químico, farmacêutico, de automotores, alimentos e maquinaria ", expressou o presidente da Eurocâmaras.

Jadoul acrescentou que a atração exercida por outras regiões do mundo, como a China, sobre os investidores europeus não deve afetar o fluxo de investimento para o Brasil, porque se trata de mercados diferentes.

"Para a China vão fundamentalmente as grandes corporações, enquanto o Brasil e os países da antiga Europa do Leste, alguns incorporados recentemente à União Européia, são os preferidos das pequenas e médias empresas", disse Jadoul.

O II Fórum Europeu, que termina hoje (28), conta com a participação de quase 50 empresas européias e brasileiras associadas às dez câmaras européias de comércio e indústria existentes no país para discutir as perspectivas de negócios no país.

A União Européia é um dos principais sócios comerciais do Brasil, pois absorve 25% das exportações brasileiras e é a origem de 25% das
importações do país.