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Há 146 anos nascia a Imigração Italiana no Brasil

O Dia Nacional do Imigrante Italiano, comemorado nesta sexta-feira (21), relembra a chegada da primeira expedição de imigrantes italianos no Brasil.

A data foi instituída em 2 de junho de 2008, pela lei nº 11.687, e é celebrada em todo o território nacional. O dia 21 de fevereiro é alusivo à chegada, no Espírito Santo, em 1874, da expedição de Pietro Tabacchi, evento que marca o início da imigração em massa de italianos para o Brasil.

Era a tarde de 3 de janeiro de 1874, quando 388 camponeses embarcaram no navio à vela “La Sofia” , no Porto de Gênova, e chegaram à capital Vitória, 45 dias depois. A expedição de Pietro Tabacchi, além dos lavradores, trouxe um capelão, um médico e um auxiliar chamado Pietro Casagrande.

Tabacchi era um italiano oriundo de Trento que já se encontrava no Espírito Santo desde o início da década de 1850, onde adquiriu uma fazenda no município de Santa Cruz (atual Aracruz). Ao observar o interesse do Brasil pela mão de obra europeia ele decidiu oferecer terras para os imigrantes em troca do direito de derrubar 3,5 mil jacarandás para exportação.

Pietro Tabacchi (ao centro), o idealizador da primeira expedição de italianos para o Brasil Foto: Reprodução/Vitoria News

As causas da emigração

A crise socioeconômica instalada na Itália, iniciada nas últimas décadas do século XIX e que perdurou até meados do século XX, fez com que muitos camponeses italianos aceitassem o convite do governo brasileiro para trabalhar nas lavouras do país, principalmente nas regiões sudeste e sul.

Até meados do século XIX, a Península Itálica era dividida em diversos reinos, com dialetos e culturas distintas. Em 1848 surgiram os primeiros passos para o processo da Unificação Italiana (Risorgimento), que só foi concluído em 1870. 

As lutas políticas do processo de unificação e as mudanças no trabalho do campo, associado ao desenvolvimento industrial, relegou à fome e ao desemprego milhares de pessoas, especialmente camponeses e artesãos. 

Assim, a constituição da Itália como país foi delimitada por grandes diferenças sociais. Enquanto o Norte entrava em um amplo processo de industrialização, o Sul mantinha a sua economia baseada na agricultura – o que se reflete, até hoje, na economia do país.

O menarosto, herança gastronômica e cultural reverenciada pelos ítalo-descendentes no Brasil Foto: Arquivo Oriundi.Net

Os ítalo-brasileiros

Os ítalo-brasileiros são descendentes da enorme massa de imigrantes italianos que chegaram ao Brasil entre 1870 e 1960. A diáspora italiana é considerada o maior movimento migratório não forçado da história. Segundo estimativas, entre 1880 e 1976, perto de 13 milhões de pessoas deixaram a Itália para residir em outros países.

Logo, o governo italiano percebeu que a emigração era um fenômeno lucrativo, já que os emigrantes vendiam tudo o que tinham na Itália e mandavam dinheiro para os parentes que ficavam no país. Fora isso, os governantes, desse modo,  abriam mão da responsabilidade de buscar soluções para uma grande massa de desempregados.

Hoje, levando em consideração o número de brasileiros descendentes de italianos, o Brasil possui a maior população italiana fora da Itália. Segundo a Embaixada da Itália no Brasil, aproximadamente, 27 milhões de descendentes de italianos residem no país, distribuídos em diversas regiões, principalmente o sudeste e o sul – quase 15% do total da população brasileira.