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Il mito di Prometeo e le sfide del Covid 19

Per i filosofi greci la Natura rappresentava “lo sfondo sacro e immutabile che nessun uomo e nessun dio fece”, al di sopra degli uomini e degli dei dell’Olimpo. Tutti gli animali erano e sono in armonia con la Natura, l’uomo no.  

Gli esseri umani, specialmente dagli inizi del XX secolo, hanno agito come se la Terra fosse da sfruttare e da usurare a piacere e come se la nostra natura fosse una fonte inesauribile di risorse, senza provocare danni irreversibili e conseguenze disastrose. Abbiamo creduto, per comodo e per dolosa reticenza, che tutte le risorse fossero rinnovabili, fungibili come pezzi di ricambio d’una macchina. Soprattutto abbiamo elevato la Tecnica a supremo valore di cui Natura e Umanità sono meri funzionari. Nulla di più errato. Così non è stato e mai sarà.

L’uomo contemporaneo ha miseramente fallito il proprio rapporto con la natura. Certo, non tutta l’Umanità ha adottato lo stesso comportamento. I principali autori dello scempio siamo stati noi occidentali (la Terra del Tramonto: Europa, Nord America e, negli ultimi decenni, anche le fasce sociali elitarie di altri paesi non occidentali). In definitiva, circa un miliardo di persone su una popolazione mondiale di 7,5 miliardi.

Il pensiero mainstream consumistico concepito e realizzato fino ad oggi non è più ammissibile e non dovrebbe più avere spazio, a meno di non voler accelerare la fine di gran parte del genere umano e un suicidio di massa. 

Inoltre, Tecnica e Scienza hanno dimostrato di essere quasi impotenti di fronte a un microscopico virus che ha causato la seconda pandemia letale degli ultimi 100 anni. La pandemia erroneamente chiamata Spagnola, che fece milioni di vittime in tutto il mondo dal 1918 al 1920, è un capitolo di storia semidimenticato tornato improvvisamente e drammaticamente alla ribalta con il Covid 19. Siamo stati sorpresi. Non lo avremmo mai pensato. Eppure siamo stati colpiti tragicamente come da un fulmine scagliato da Zeus, dio dell’Olimpo. 

Proprio nell’auge del mainstream idolatra di Scienza e Tecnica, di miopi obiettivi di creascita predatoria, della trionfante dittatura dell’economia globale a sua volta schiava della finanza globale senza regole e, conseguentemente, di mercati che non sono né efficienti né razionali, esplode l’assoluto imprevisto della pandemia. Gli esseri umani muoiono a migliaia.

Tutti i paesi, imperi compresi, sono aggrediti dal virus. Non basta sottovalutarlo con leggerezza demenziale, invocare improbabili immunità di gregge o esorcizzarlo con stupide dichiarazioni. Dobbiamo affrontarlo per lungo tempo e molti moriranno. 

Sembra un incubo, dato che Scienza e Tecnica, che sanno svolgere anche un’azione positiva per il progresso, ci hanno fornito una falsa sensazione d’onnipotenza, quasi d’immortalità, come nella realtà virtuale d’un videogame. Il Covid 19 ci ha riportato tragicamente alla realtà, con l’angoscia che ci attenaglia quando il nemico da combattere è invisibile.

Inoltre, abbiamo iniziato a capire che gli occidentali, malgrado i loro arsenali nucleari e le terribili armi di cui dispongono, sono popoli deboli in quanto i più tecnicamente assistiti e abituati a un tenore di vita che non potranno più mantenere. Il futuro presenta uno scenario in cui i nostri figli e i nostri nipoti dovranno consumare le risorse accumulate dai padri e dai nonni, ritardando di fatto la loro effettiva emancipazione che, forse, non riusciranno mai a raggiungere. 

Mentre altri popoli, ad esempio africani, ostilizzati da xenofobia e razzismo in Europa e non solo, sono molto più forti in quanto per nulla assistiti dalla Tecnica, abituati a privazioni che un occidentale non sopporterebbe, incosciamente percepiti come molto più forti in quanto hanno superato calvari e privazioni terribili nella loro disperazione motivatrice. 

Tali fatti mi portano a pensare al mito di Prometeo, il Titano che favorisce gli uomini dando loro il fuoco contro il volere di Zeus. Il fuoco significa il sapere e Zeus rappresenta lo status quo, il mainstream, insomma la situazione dominante dell’Occidente attuale. Ma ciascuno di noi dovrà essere un Prometeo che tiene in mano la torcia con il fuoco della giusta conoscenza, in cui l’uomo non deve più essere funzionario della Tecnica, ma sempre il fine e mai un mezzo.

Dovremo dare una grande prova di resistenza civile al Covid 19, ma dovremo anche dare prova di rinnovamento culturale, perché nulla sarà e dovrà essere come prima.

Adolfo Bracci
adolfo.bracci@gmail.com 

Adolfo Bracci è laureato in Scienze Politiche con specializzazione in Politica Economica e Monetaria, dall’Università degli Studi di Roma "La Sapienza"; è amministratore d'Imprese di capitale italiano in Brasile.

O mito de Prometeu e os desafios do Covid 19

O homem não deve mais ser um funcionário da Técnica, mas sim o fim e nunca um meio.

Para os filósofos gregos, a Natureza representava "o fundo sagrado e imutável que nenhum homem e nenhum deus criou", acima dos homens e dos deuses do Olimpo. Todos os animais estavam e estão em harmonia com a Natureza, o homem não.

Os seres humanos, especialmente desde o início do século XX, agiram como se a Terra fosse para ser explorada e desgastada à vontade e como se a nossa Natureza fosse uma fonte inesgotável de recursos, sem provocar danos irreversíveis e consequências desastrosas. Acreditávamos, por conveniência e por dolosa reticência, que todos os recursos eram renováveis, fungíveis como peças de reposição para uma máquina. Acima de tudo, elevamos a Técnica ao valor supremo, segundo o qual a Natureza e a Humanidade são meros funcionários. Nada poderia estar mais errado. Este não foi o caso e nunca será.

O homem contemporâneo falhou, miseravelmente, em seu próprio relacionamento com a Natureza. Obviamente, nem toda a Humanidade adotou o mesmo comportamento. Os principais autores do massacre fomos nós, ocidentais (a Terra do Pôr do Sol: Europa, América do Norte e, nas últimas décadas, também os grupos sociais de elite de outros países não ocidentais). Por fim, cerca de um bilhão de pessoas, em uma população mundial de 7,5 bilhões.

O pensamento mainstream consumista concebido e realizado, até o momento, não é mais permitido e não deve mais ter espaço, a menos que se queira acelerar o fim de grande parte do gênero humano e um suicídio em massa.

Além disso, a Técnica e a Ciência demonstraram ser quase impotentes, diante de um vírus microscópico que causou a segunda pandemia letal dos últimos 100 anos. A pandemia, erroneamente chamada de Espanhola, que fez milhões de vítimas em todo o mundo, de 1918 a 1920, é um capítulo da história meio esquecido que, de repente e de maneira dramática, voltou ao centro das atenções, com o Covid 19. Ficamos surpresos. Nós nunca teríamos pensado nisso. No entanto, fomos tragicamente atingidos como um raio lançado por Zeus, deus do Olimpo.

Precisamente no auge do mainstream idólatra da Ciência e da Técnica, dos míopes objetivos de crescimento predatório, da triunfante ditadura da economia global, por sua vez, escravizada pelas finanças globais sem regras e, consequentemente, por mercados que não são eficientes nem racionais, explode o absoluto imprevisto da pandemia. Os seres humanos morrem aos milhares.

Todos os países, incluindo impérios, são atacados pelo vírus. Não basta subestimá-lo com leveza demente, invocar imunidades improváveis de rebanho ou exorcizá-lo, com declarações estúpidas. Temos que enfrentá-lo por um longo tempo e muitos irão morrer.

Parece um pesadelo, dado que a Ciência e a Técnica, que também sabem desenvolver uma ação positiva para o progresso, nos proporcionaram um falso sentimento de onipotência, quase de imortalidade, como na realidade virtual de um videogame. O Covid 19 nos trouxe, tragicamente, à realidade, com a angústia que nos assola quando o inimigo a combater é invisível.

Além disso, começamos a entender que os ocidentais, apesar de seus arsenais nucleares e das terríveis armas das quais dispõem, são pessoas fracas, enquanto os mais tecnicamente assistidos e acostumados a um padrão de vida que não poderão mais manter. O futuro apresenta um cenário em que nossos filhos e netos terão que consumir os recursos acumulados por pais e avós, atrasando efetivamente a sua verdadeira emancipação que, talvez, nunca conseguirão alcançar.

Enquanto outros povos, por exemplo, africanos, hostilizados pela xenofobia e racismo na Europa e não só, são muito mais fortes, ao mesmo tempo em que em nada são assistidos pela Técnica, sendo habituados a privações que um ocidental não suportaria, inconscientemente percebidos como muito mais fortes, na medida em que superaram calvários e privações terríveis em seu desespero motivador.

Tais fatos me levam a pensar no mito de Prometeu, o Titã que favorece os homens dando a eles o fogo, contra a vontade de Zeus. O fogo significa o saber e Zeus representa o status quo, o mainstream, enfim, a situação dominante do Ocidente atual. Mas cada um de nós deve ser um Prometeu que tem em mãos a tocha com o fogo do justo conhecimento, segundo o qual o homem não deve mais ser um funcionário da Técnica, mas sempre um fim e nunca um meio.

Teremos que dar um grande testemunho de resistência civil ao Covid 19, mas deveremos também dar prova de renovação cultural, porque nada será e deverá ser como antes.

Adolfo Bracci
adolfo.bracci@gmail.com 

Adolfo Bracci é formado em Ciência Política com especialização em Política Econômica e Monetária, pela Universidade de Roma "La Sapienza"; é administrador de empresas de capital italiano no Brasil.