Fabio Porta: A direita enfraquece os italianos no exterior
O deputado italiano Fabio Porta (PD), eleito pela América do Sul, criticou duramente a aprovação da nova lei sobre o direito de voto dos italianos no exterior pelo Senado italiano.
De acordo com o parlamentar, a coalizão governante, de direita majoritária, rejeitou todas as emendas e ignorou as objeções feitas por seus próprios membros, como os levantados pelo senador Roberto Menia, o que ele classificou como uma restrição de direitos e um enfraquecimento da representação dessas comunidades.
O parlamentar associou essa nova medida a decisões anteriores, como a "Lei Tajani", que impôs barreiras à transmissão da cidadania por direito de sangue para as novas gerações nascidas fora da Itália. Para ele, essas ações fazem parte de uma estratégia contínua da direita para limitar a representação política e minar a conexão entre o país e sua diáspora.
Porta concluiu questionando se o governo enxerga os italianos no exterior como cidadãos plenos a serem incluídos nas políticas públicas ou apenas como um elemento folclórico para celebrações oficiais. Ele garantiu que a oposição continuará mobilizada para defender o direito ao voto e garantir uma representação política legítima e livre para todas as comunidades ao redor do globo.
As principais medidas aprovadas foram a redução das circunscrições eleitorais no exterior – de quatro para duas para Câmara dos Deputados, e criada apenas uma para o Senado.
A reforma, antes de entrar em vigor, deverá receber uma nova votação na Câmara, devido a modificações no texto. As novas regras passarão a valer já nas próximas eleições gerais na Itália, em 2027.
Acompanhe, a seguir, a íntegra da manifestação do parlamentar.
Fabio Porta: “A maioria aprovou uma lei sobre o direito de voto dos italianos no exterior, rejeitando todas as emendas propostas e ignorando até mesmo as objeções levantadas dentro de suas próprias fileiras. Este é um sinal político grave.
Até mesmo aqueles que pertenciam à maioria e que enfatizaram a natureza singular das comunidades italianas ao redor do mundo e a necessidade de salvaguardar sua representação efetiva, foram solicitados a retirar suas propostas. A disciplina da coalizão prevaleceu mais uma vez sobre a escuta, o debate e o respeito por milhões de compatriotas que vivem fora da Itália.
Após a lei Tajani, que restringiu a transmissão da cidadania italiana às novas gerações nascidas no exterior, esta reforma eleitoral confirma uma linha específica: limitar direitos, reduzir a representação e enfraquecer a relação entre a Itália e suas comunidades ao redor do mundo.
Os italianos no exterior precisam entender se, por exercerem esse direito, são cidadãos a serem respeitados e envolvidos nas políticas públicas do país, ou meramente um elemento do folclore a ser celebrado em ocasiões oficiais. Continuaremos a defender a circunscrição eleitoral no exterior, o direito ao voto e a representação plena, livre e credível das nossas comunidades em todo o mundo.”
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