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Um homem, um padre, uma missão

Hoje, o padre Vito Miracapillo é cidadão honorário do Brasil; ontem, ele foi expulso pela ditadura.

Por Fabio Porta

Em uma cerimônia emocionante, quarenta e seis anos após sua expulsão do Brasil por decisão do regime militar, a Assembleia Legislativa do Estado de Pernambuco concedeu a cidadania honorária ao padre italiano Vito Miracapillo.

Uma história de coragem e fé, a do padre Vito, que em 1975 escolheu o Nordeste do Brasil como território missionário para seu ministério pastoral, especialmente junto aos mais pobres e oprimidos. Eram os anos da ditadura militar, cujo clima foi eloquentemente retratado no filme brasileiro indicado ao Oscar "O Agente Secreto", também ambientado em Recife na década de 1970.

O padre Miracapillo não era um revolucionário, mas um simples padre do interior que escolheu ficar ao lado das famílias camponesas exploradas pelos latifundiários da época, senhores incontestáveis ​​não só de suas terras, mas também daqueles que ali trabalhavam em condições próximas à escravidão. Foi por essa razão que, na véspera de 7 de setembro de 1980, Dia da Independência do Brasil, esse padre tímido e franzino teve a coragem de desobedecer.

"O que eu não podia tolerar", escreveu ele anos depois em sua biografia, "era a natureza falsa, burguesa e autoritária dessas comemorações, a falta de consideração pelo povo e sua realidade, e a imposição de missas e horários à Igreja."

A carta na qual o padre italiano comunicou sua decisão ao prefeito era simples, mas explosiva; Foi uma frase em particular que provocou uma reação das autoridades locais, transformando o "caso Miracapillo" em notícia de primeira página em revistas e jornais da época: "a independência ineficaz do povo, reduzido à condição de mendigos e desprotegido em seus direitos".

"Como se poderia celebrar a independência", disse o Padre Vito em seu discurso emocionado na cerimônia de entrega de sua cidadania honorária, "se o povo simplesmente passou de um senhor estrangeiro para um local que o oprimia e o deixava passar fome da mesma forma?"

Palavras simples, porém duras como pedra, que ecoaram no plenário do Parlamento Pernambuco como um alerta aos líderes e nações de hoje, muitas vezes mais preocupados com a alquimia do poder do que com a defesa dos interesses de seus cidadãos.

Essa história exemplar e, como frequentemente acontece nesses casos, pouco conhecida, é agora relatada no livro autobiográfico "Um Homem, um Padre, a Missão". Este volume de quinhentas páginas é de leitura fácil e rápida graças à intensa e dramática sequência de eventos, narrados com paixão e riqueza de detalhes pelo protagonista. É um texto valioso para aqueles que desejam aprender mais sobre a história desses anos no Brasil e na América Latina, e em breve será traduzido para o português.

A história da emigração italiana para o Brasil é inegavelmente marcada pela massa de migrantes que, com enorme sacrifício e em condições precárias, trabalharam nos campos, assim como os comerciantes e artesãos que povoaram as grandes cidades do país, e finalmente a onda de empreendedores que se tornaria o carro-chefe dessa grande epopeia. Ao lado deles, porém, jamais devemos esquecer os muitos "Padre Vitos" que trouxeram a solidariedade e a generosidade do povo italiano para este grande país, tornando-se e sendo considerados pelo povo como cidadãos de pleno direito por terem compartilhado com os mais humildes seus sofrimentos e esperanças, suas lutas e vitórias.

Fabio Porta é deputado italiano do Partido Democrático, eleito na América do Sul; é Vice-presidente da Comissão Permanente sobre os Italianos no Mundo da Câmara dos Deputados da Itália.

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Un uomo, un prete, la missione 

Oggi Padre Vito Miracapillo è cittadino onorario del Brasile, ieri fu espulso dalla dittatura. 

Di Fabio Porta 

Con una cerimonia emozionante, quarantasei anni dopo la sua espulsione dal Brasile per decisione del regime militare, l'Assemblea Legislativa dello Stato del Pernambuco ha concesso la cittadinanza onoraria al sacerdote italiano Vito Miracapillo. 
Una storia di coraggio e di fede quella di Padre Vito, che nel 1975 scelse il nordest del Brasile come terra di missione per la sua pastorale rivolta soprattutto ai più poveri e agli oppressi. Erano gli anni della dittatura militare il cui clima è stato descritto con eloquenza dal film brasiliano candidato all'Oscar "L'Agente segreto", anch'esso ambientato a Recife negli anni '70. 

Padre Miracapillo non era un rivoluzionario ma un semplice parroco di campagna che aveva scelto di stare dalla parte delle famiglie contadine sfruttate dai latifondisti di allora, padroni indiscussi non soltanto delle loro terre ma di quanti vi lavoravano in condizioni di quasi schiavitù; fu per questo motivo che alla vigilia del 7 di settembre del 1980, Festa dell'Indipendenza brasiliana, questo sacerdote timido e minuto ebbe il coraggio di disobbedire. 

"Ciò che non riuscivo a sopportare - scrisse anni dopo nella sua biografia - era il carattere falso, borghese e autoritario di tali celebrazioni, la mancanza di riguardo per il popolo e per la sua realtà e l'imposizione fatta alla Chiesa di messe e orari." 
La lettera con la quale il prete italiano comunicava al Sindaco la sua decisione fu semplice ma dirompente; fu soprattutto una frase a scatenare la reazione delle autorità locali fino a trasformare il "caso Miracapillo" in una notizia che divenne prima pagina di riviste e quotidiani dell'epoca: "la non effettiva indipendenza del popolo ridotto alla condizione di mendicante e non protetto nei suoi diritti." 

"Come si poteva festeggiare l'indipendenza" ha detto Padre Vito nel suo commosso intervento alla cerimonia di consegna della cittadinanza onoraria, "se il popolo era semplicemente passato da un padrone straniero ad uno locale che ugualmente lo opprimeva e affamava?.
Parole semplici ma dure come pietre, che sono risuonate nella sala del Parlamento del Pernambuco come un monito ai governanti e alle nazioni di oggi, spesso preoccupati più delle alchimie del potere che non della difesa degli interessi dei cittadini. 

Questa storia esemplare e, come spesso accade in questi casi, poco conosciuta è oggi raccontata nel libro autobiografico "Un uomo, un prete, la missione"; un volume di cinquecento pagine che si possono leggere con grande facilità e rapidità per l'intensa e drammatica concatenazione dei fatti raccontati con passione e dovizia di particolari dal protagonista; un testo prezioso per quanti vogliono conoscere da vicino la storia di quegli anni in Brasile e America Latina e che presto sarà tradotto anche in portoghese. 

La storia dell'emigrazione italiana in Brasile è segnata sicuramente dalla massa di migranti che con enormi sacrifici e in condizioni precarie lavorarono nei campi, come poi dai commercianti e artigiani che popolarono le grandi città del Paese e infine dalla leva di imprenditori che sarebbero diventati il "fiore all'occhiello" di questa grande epopea. Accanto a loro però non dobbiamo mai dimenticarci di ricordare i tanti "Padre Vito" che hanno portato in questo grande Paese la solidarietà e la generosità del popolo italiano, diventando e venendo considerati dal popolo come concittadini a pieno titolo per aver condiviso con i più umili sofferenze e speranze, lotte e conquiste.

Fabio Porta è deputato italiano del Partito Democratico, eletto in Sud America; è Vice Presidente del Comitato Permanete sugli Italiani nel Mondo della Camera dei Deputati

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