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Padre Pio e a conversão dos comunistas

Padre Pio, frade e sacerdote italiano, da Ordem dos Frades Menores Capuchinhos, elevado a santo pela Igreja Católica como São Pio de Pietrelcina, faleceu em 23 de setembro de 1968, há exatos 52 anos.

Em lembrança à data da sua morte, reproduzimos o artigo do escritor e pesquisador José Carlos Zamboni, cuja publicação original pode ser acessada aqui

São Padre Pio, rogai por nós!

Padre Pio e a conversão dos comunistas

Por José Carlos Zamboni

Por que padre Pio incluía os comunistas entre os adversários de Deus? Pois era exatamente assim que sempre pensou a Igreja: por servirem à criatura e não ao Criador. Certa vez, disse a um membro do partido comunista, ao final de uma confissão: “Você traiu o Senhor teu Deus e passou para o lado de Seus inimigos”.

Para padre Pio, o marxismo tinha uma origem claramente anticrística, portanto satânica: sua pretensão é substituir Cristo como Senhor da História pela ação humana. Portanto, a Igreja não pode nem dialogar nem unir-se a ele. Quanto aos marxistas, homens de carne e osso, pecadores como todos nós, o nosso santo sabia que eles podem e devem ser procurados por nós e nossas orações, pois é nossa obrigação tentar convertê-los, fazê-los empreender a quase impossível e miraculosa caminhada que vai de Lúcifer a Jesus.

O santo de Pietrelcina não se deixava enganar por um dos aspectos do igualitarismo marxista — o pretenso cuidado com os pobres —, pois sabia que era só um disfarce, uma sedutora isca para arrastar incautos às mais cruéis formas de totalitarismo de que se tem notícia na história contemporânea, ao lado do fascismo e do nazismo. Em vez de escravos do Estado, os cristãos deviam ser escravos uns dos outros pela caridade, como já dizia São Paulo na “Carta aos Gálatas”. Ser marxista, para o padre Pio, era um pecado dos mais graves.

Leia Aqui sobre a vida de Padre Pio

Padre Pio converteu comunistas? Muitos. Como, por exemplo, o médico francês Charles Boyer, comunista, ateu e herói da resistência francesa na Segunda Guerra Mundial. Era um fruto perfeito da mentalidade existencialista da sua época. Depois da 2ª Guerra, entrou em depressão e não via mais sentido na vida. Um amigo sugeriu-lhe uma visita ao padre Pio, na Itália. Falou-lhe das feridas nas mãos e nos pés do santo, sempre abertas e sangrentas, que nunca infeccionavam, além do estranho perfume de violeta que exalavam. Ele zombou do amigo: garantiu que se o padre lhe enviasse um “sinal”, iria vê-lo… Um dia, estava dr. Charles às margens de um lago, em Lugano, Suíça, pensando seriamente em atirar-se às águas, quando sentiu um forte cheiro de perfume, mistura de rosa e violeta. O médico não localizou, por perto, nenhuma possível origem para aquele cheiro — e entendeu o recado do Céu. Só lhe restou voltar ao hotel, acertar as contas e pegar o primeiro trem para San Giovanni Rotondo, onde vivia padre Pio. Transformou-se num dos primeiros médicos do hospital construído por padre Pio.

Outro exemplo de comunista convertido é o de Italia Betti. Era professora de matemática no Liceu Galvani, em Bolonha. Cunhada do prefeito da cidade e militante do Partido Comunista, não só se vestia de vermelho, como também mandou pintar de vermelho a sua motocicleta. Pegaria em armas, se fosse preciso. Em sua profissão, criticava com vigor o ensino religioso nas escolas. Até que ficou sabendo que tinha um câncer. Por insistência da irmã mais nova, a única católica da família, viajou a São Giovanni Rotondo e, fascinada pelo padre Pio, de lá nunca mais arredou pé. O curioso é que não pediu a cura física a padre Pio. Usou o sofrimento como forma de santificação, penitenciando-se de tantos erros cometidos em nome do ex-ídolo Karl Marx. Experimentou, porém, a cura espiritual: revelou, em carta a seu chefe comunista regional, que havia finalmente conquistado a paz. Uma paz bem diferente da preconizada por Moscou.

No caso do comunista Savino Greco, houve cura física e espiritual. No auge da militância política, no imediato pós-guerra, Savino descobriu um grave tumor no cérebro, e o marxismo perdia, de repente, todo o fascínio que até então tivera. Que fazer, então, com a luta de classes e o sonho da sociedade igualitária? No hospital de Milão, antes de uma cirurgia arriscadíssima, sonhou com padre Pio. Este lhe dizia que, com o tempo, ficaria curado. E foi o que ocorreu: a cura se deu por etapas. Na manhã seguinte, sentiu-se melhor e fugiu do hospital, para onde voltou, dias depois, com o retorno das dores intensas na cabeça. Durante os novos exames, sentiu um forte cheiro de violeta, que sabia ser o traço da presença de padre Pio. Os médicos ficaram espantados com a inexplicável ausência dos tumores. Livre do hospital, foi com a mulher a São Giovanni Rotondo agradecer pessoalmente a padre Pio. Para angústia de Savino, as dores continuaram por algum tempo: Deus queria que as lições não terminassem já. Mas, depois de algum tempo, cessaram. O ex-comunista estava curado no corpo e no espírito.

E há também o caso quase cômico de Fulgo Pilli. Era um militar comunista metido a valente. Um dia, recebeu um desafio de certa senhora católica: se tivesse mesmo coragem, fosse à cidade de padre Pio (e com tudo pago pela Associação Católica Italiana…). Pilli, soldado corajoso, aceitou ir a São Giovanni Rotondo; garantiu que voltaria de lá ainda mais comunista! Perdeu a aposta: padre Pio o converteu no confessionário. Perdeu, sim, mas nunca se sentiu tão vitorioso na vida.

José Carlos Zamboni é escritor, doutor em Literatura Brasileira pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (1994). Aposentou-se em abril de 2016, como professor assistente doutor da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, campus de Assis, SP, onde ministrou aulas de Teoria da Literatura desde agosto de 1989. É autor do blog https://opusmaterdei.blog