Guerra e Paz
Contra a lei do mais forte, devemos relançar o diálogo como o principal caminho para a paz.
Construir a paz em meio à "desordem global" significa restaurar a palavra paz ao seu pleno significado constitucional e político. Não estamos falando de uma aspiração genérica, mas de um critério que fundamenta e guia nossa República. O Artigo 11 da Constituição afirma que a Itália "repudia a guerra como instrumento de agressão contra a liberdade de outros povos e como meio de resolução de disputas internacionais". Essas duas linhas sintetizam todo um conceito de paz: a rejeição da guerra, a primazia do direito e a fé na cooperação internacional como forma de conciliar soberania, paz e justiça.
Vivemos, contudo, em um momento histórico no qual esses princípios parecem estar sob ataque. Os conflitos na Ucrânia e no Oriente Médio, as tensões que varrem a Ásia e o enfraquecimento de alguns mecanismos multilaterais estabelecidos após a Segunda Guerra Mundial parecem colocar em xeque o próprio horizonte indicado pela Constituição: a possibilidade de que as disputas internacionais sejam abordadas e resolvidas por meio do direito e do diálogo, e não pela força. Estamos diante de um paradoxo: nunca antes a interdependência entre os povos foi tão evidente, e nunca antes a tentação de responder à insegurança com novas formas de isolamento, rearmamento e confronto direto se tornou tão forte. É nesse contexto que a responsabilidade política se torna primordial. Colocamos à prova: como podemos, sob tais condições transformadas, articular a rejeição constitucional da guerra sem cair no desarmamento unilateral ou na aceitação resignada da guerra como uma "necessidade" inevitável?
A tradição democrática italiana desenvolveu um conceito de paz que não é simplesmente a ausência de guerra, mas a construção paciente da "coexistência", da fraternidade entre os povos e de pontes entre civilizações. Giorgio La Pira — prefeito de Florença, membro da Assembleia Constituinte e "artesão da paz" — amava repetir que "a política é a difícil arte do bem comum" e que "a guerra é a mais grave acusação contra a política". Em uma de suas reflexões mais profundas, ele lembrou que "paz é o novo nome da justiça": não há paz verdadeira onde as relações entre Estados e povos são marcadas por injustiça estrutural, exclusão e exploração. Não basta pôr fim às hostilidades: devemos abordar as causas que as geraram, as feridas que as alimentam e as desigualdades que as tornam cada vez mais propensas a reacender.
Se levarmos essa perspectiva a sério, compreenderemos que o diálogo não é um luxo para tempos de paz, mas uma necessidade em tempos de crise. Dialogar significa aceitar a divisão das fronteiras políticas, culturais e religiosas; significa reconhecer que o outro não pode ser reduzido a uma caricatura do "inimigo"; significa manter os canais de comunicação abertos mesmo quando a opinião pública exige simplificação, alinhamentos claros e slogans.
A política hoje é chamada a exercer uma dupla responsabilidade. A primeira é cultural: combater a banalização da guerra, sua representação como "normal" nas relações internacionais e a resignação cínica que considera a paz uma aspiração ingênua. A segunda é de natureza prática: vigiar para que nossas decisões não contradigam o repúdio constitucional da guerra, mas estejam inscritas, na medida do possível, na lógica de uma ordem que "assegure a paz e a justiça entre as nações". Esta é uma tarefa que não podemos realizar sozinhos: requer diálogo com o mundo da pesquisa, com a diplomacia, com as organizações internacionais, a sociedade civil e as comunidades religiosas. Um diálogo necessário, mesmo quando tudo parece perdido.
La Pira sempre nos lembrava que "a história é, em última análise, uma marcha rumo à paz", mesmo através de crises, conflitos e contratempos. Isso não é otimismo ingênuo, mas uma responsabilidade que diz respeito a todos: a paz nunca é garantida; ela deve ser construída, defendida e repensada sempre que o caos global parecer sobrecarregar nossas instituições e nossas consciências.
Fabio Porta é deputado italiano do Partido Democrático, eleito na América do Sul; é Vice-presidente da Comissão Permanente sobre os Italianos no Mundo da Câmara dos Deputados da Itália.
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Guerra e pace
Contro la legge del più forte occorre rilanciare il dialogo come via maestra per la pace.
Costruire la pace nel "disordine globale" significa restituire alla parola pace il suo pieno significato costituzionale e politico. Non parliamo di un'aspirazione generica, ma di un criterio che fonda e orienta la nostra Repubblica. L’articolo 11 della Costituzione afferma che l'Italia ''ripudia la guerra come strumento di offesa alla libertà degli altri popoli e come mezzo di risoluzione delle controversie internazionali", e in queste due righe è racchiusa un'intera concezione della pace: il rifiuto della guerra, il primato del diritto, la fiducia nella cooperazione internazionale come via per coniugare sovranità, pace e giustizia.
Viviamo, tuttavia, in una fase storica in cui questi principi appaiono sotto attacco. I conflitti in Ucraina e in Medio Oriente, le tensioni che attraversano l'Asia, il logoramento di alcuni meccanismi multilaterali nati nel secondo dopoguerra, sembrano rimettere in discussione proprio ciò che la Costituzione indicava come orizzonte: la possibilità che le controversie internazionali siano affrontate e composte attraverso il diritto e il dialogo, e non attraverso la forza. Siamo di fronte a un paradosso: mai come oggi l'interdipendenza tra i popoli è stata così evidente e mai come oggi è tornata potente la tentazione di rispondere all'insicurezza con nuove forme di chiusura, di riarmo, di contrapposizione frontale. È in questo scenario che la responsabilità della politica viene messa alla prova: come declinare, in condizioni così mutate, il ripudio costituzionale della guerra, senza cadere né nel disarmo unilaterale, né in una rassegnata accettazione della guerra come "necessità" inevitabile?
La tradizione democratica italiana ha sviluppato una concezione della pace che non è semplice assenza di guerra, ma costruzione paziente di "convivenza", di fraternità tra i popoli, di ponti tra le civiltà. Giorgio La Pira - Sindaco di Firenze, costituente, "artigiano di pace" - amava ripetere che "la politica è l'arte difficile del bene comune" e che "la guerra è l’atto di accusa più grave contro la politica". In una delle sue intuizioni più profonde, ricordava che "la pace è il nome nuovo della giustizia": non c'è pace vera dove i rapporti tra gli Stati e tra i popoli sono segnati da ingiustizia strutturale, da esclusione, da sfruttamento. Non basta interrompere le ostilità: occorre affrontare le cause che le hanno generate, le ferite che le alimentano, le diseguaglianze che le rendono sempre pronte a riaccendersi.
Se assumiamo sul serio questo sguardo, comprendiamo che il dialogo non è un lusso per tempi tranquilli, ma una necessità nei tempi di crisi. Dialogare significa accettare divaricare confini politici, culturali, religiosi; significa riconoscere che l’altro non è riducibile alla caricatura del "nemico"; significa tenere aperti canali di comunicazione anche quando le opinioni pubbliche chiedono semplificazioni, schieramenti netti, parole d'ordine.
Alla politica oggi viene chiesto un duplice esercizio di responsabilità. Il primo è di natura culturale: contrastare la banalizzazione della guerra, la sua rappresentazione come "normalità" nei rapporti internazionali, la rassegnazione cinica che considera la pace un'ingenua aspirazione. Il secondo è di natura pratica: vigilare perché le nostre decisioni non contraddicano il ripudio costituzionale della guerra, ma si iscrivano, per quanto è possibile, nella logica di un ordinamento che "assicuri la pace e la giustizia fra le Nazioni". È un compito che non possiamo svolgere da soli: richiede il dialogo con il mondo della ricerca, con la diplomazia, con le organizzazioni della società civile, con le comunità religiose. Un dialogo necessario, anche quando tutto può sembrare perduto.
Sempre La Pira ci ricordava che "la storia è, in ultima analisi, una marcia verso la pace", anche attraverso crisi, conflitti e arretramenti. Non si tratta di ottimismo ingenuo, ma di una responsabilità che ci riguarda tutti: la pace non è mai garantita, va costruita, difesa, ripensata ogni volta che il disordine globale sembra travolgere le nostre istituzioni e le nostre coscienze.
Fabio Porta è deputato italiano del Partito Democratico, eletto in Sud America; è Vice Presidente del Comitato Permanete sugli Italiani nel Mondo della Camera dei Deputati
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