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Lorenzato defende mais respeito ao Brasil e aos ítalo-brasileiros 

O deputado Luis Roberto Di San Martino-Lorenzato Di Ivrea, que representa, no Parlamento da Itália, os cidadãos italianos residentes na América do Sul, destaca os principais feitos da sua atividade parlamentar, nos seus quase dois anos de mandato, e comenta temas ligados à cidadania e à política italiana. 

Advogado e empresário, Lorenzato, natural de Ribeirão Preto (SP), ocupa, na Câmara dos Deputados da Itália, uma das duas cadeiras conquistadas por ítalo-brasileiros, nas últimas eleições legislativas do país, realizadas em 4 de março de 2018. Eleito pela coligação de centro-direita (LEGA – Forza Italia – Fratelli d’Italia com Meloni), ele expressa opiniões fortes e não mede palavras, na defesa dos ítalo-brasileiros. 

Como parlamentar, ele defende a cidadania italiana pela via iure sanguinis, sem limite geracional; denuncia existir discriminação contra os ítalo-descendentes, dentro da Farnesina; acusa a esquerda italiana de desvalorizar os descendentes de italianos; faz críticas aos consulados e pede mais respeito à Itália para com o Brasil e os ítalo-brasileiros. 

A seguir, as palavras do deputado Lorenzato, quanto à sua atividade parlamentar e aos temas ligados à política e à cidadania italiana.  

A presença no Parlamento da Itália 

“Como parlamentar eleito pela LEGA, na Circunscrição América do Sul, eu sou o primeiro deputado não sindicalista, não ligado a movimentos sindicais e o primeiro deputado que representa o mundo dos empresários e declaradamente de direita a ir para Roma. 

“No Parlamento da Itália, pela primeira vez, não veio um deputado que pede esmola, bolsa de estudos, dinheiro para patronato, que pede isso, pede aquilo. Eu sou um italiano que pede desenvolvimento econômico e cultural entre os dois países. 

“O Brasil é um grande parceiro da Itália. A Itália investe no Brasil e faz muito bem. Só que a Itália não investe aqui, no Brasil, de graça. O país não faz caridade aqui, pois não é a Cáritas. São duas mil empresas que ganham dinheiro no Brasil e, por consequência, geram empregos, tributos e o desenvolvimento, em ambos os países. Cresce o PIB da Itália e cresce o PIB do Brasil. 

“Assim sendo, eu sou o deputado que representa o mundo do positivismo, o mundo da livre iniciativa, o mundo das boas relações. Eu sempre mostro que o Brasil é uma potência econômica gigante, onde são produzidos alimentos para 1 bilhão e 600 milhões de pessoas no mundo. Só nós, italianos do Brasil, produzimos alimentos para 1 bilhão de pessoas.”

O retorno de Cesare Battisti à Itália

“Eu tive o prazer de fazer a aproximação da Itália com o Brasil e do Brasil com a Itália, que estava muito a desejar. Isso devido à ideologia política da esquerda italiana que bancava, no Brasil, o pluriassassino Cesare Battisti, condenado a prisão perpétua, o ergastolo, pena confirmada pela Suprema Corte da Itália. Além disso, ele também é réu confesso, ele confessou os seus crimes. Cesare Battisti teve no Brasil a guarida do PT e dos partidos de esquerda, dessa elite que comandava o país, através do aparelhamento generalizado do Estado. 

“Fui eu o responsável por apresentar o atual presidente Bolsonaro ao então ministro Salvini, líder da LEGA. Um dia antes da eleição, levei uma carta do Salvini ao Bolsonaro para o estreitamento das relações. Foi quando nós pedimos a extradição de Cesare Battisti. 

“Desse dia em diante, o Battisti perdeu o chão, a gente brinca com a expressão, ‘nós colocamos fogo na barraca dele’, e começou uma fuga planejada pelas esquerdas que seria pelo Uruguai ou, obviamente, pela Bolívia, onde ele foi capturado. Fui orientado e convocado pelo presidente do Brasil e, assim que Battisti foi capturado, nós desenhamos um projeto para que ele não voltasse ao Brasil e para que não houvesse recursos do Supremo Tribunal, um habeas corpus que impedisse o seu envio para a Itália. 

“Foi assim que tivemos a ideia. Salvini mandou um avião para buscá-lo e levá-lo para a Itália, e o ministro de Relações Exteriores do Brasil, Ernesto Araujo, mandou também um avião, tornando confuso para onde ele iria, mas nós sabíamos que ele iria direto para a Itália e que não seria uma extradição, mas sim uma simples expulsão do Estado boliviano. Portanto, Battisti não foi extraditado do Brasil e não valeu, desse modo, o acordo segundo o qual a pena máxima dele seria de 30 anos. Hoje, ele cumpre a prisão perpétua na Itália, graças a esse fato que eu considero a minha primeira grande conquista.” 

A tentativa de limite geracional no Decreto Salvini 

“Uma segunda conquista que eu acho importante foi que, dentro do Ministério das Relações Exteriores da Itália, juntamente com o Ministério do Interior, colocaram, no Decreto Salvini, o Decreto Sicurezza, uma maldadezinha. Tentaram misturar estrangeiros com italianos no mundo, tentaram colocar uma limitação geracional, no decreto do Salvini. 

“Obviamente, eu percebi essa maldade, essa discriminação, e informei ao ministro Salvini que isso seria um absurdo. Ele não sabia de nada, ficou estarrecido. A Farnesina sabia e a Farnesina queria, sim, e ainda pensa na redução geracional para o segundo grau, o que é uma idiotice, uma falácia, porque, se você reduz para segundo grau, por exemplo: meu avô é italiano, então eu sou italiano e a minha filha que nasceu no Brasil passa a ser primeiro grau. Eles são ruins de matemática, de aritmética. A descendência não tem limite, é ilimitada a genealogia, o sangue. Não tem nenhum país na Europa que tenha ‘ius soli', todos são ‘iure sanguinis’. 

“Portanto, fui eu que tirei essa discriminação do Decreto Sicurezza bis do Salvini, e ele me apoiou, ficou chateado, ligou para a Farnesina, deu uma bronca em todo o mundo e disse: ‘prima gli italiani, anche quelli all'estero’. Inclusive, Salvini falou, num grande comício no ano passado, em Milão, da importância dos italianos no mundo.” 

O bloqueio de operação comunista na ONU

“Eu também tive uma participação ativa, numa grande conquista que foi o bloqueio de uma operação comunista, na ONU, encabeçada pela ex-presidente do Chile, Michelle Bachelet, com a ex-presidente do Brasil, Dilma Rousseff. Elas queriam uma resolução na ONU para colocar etiquetas, como aquelas em maços de cigarros, nos alimentos que contivessem muito açúcar, soja, milho, sal e óleo. Ou seja, em tudo aquilo que a Itália e o Brasil produzem, porque para produzir o queijo ‘parmigiano reggiano’ na Itália é necessário o consumo da ração da soja brasileira. O chocolate da Ferrero tem o açúcar e o cacau do Brasil. Dessa forma, isso seria uma grande perda para o agronegócio dos dois países que são o Brasil e a Itália. E o presidente Bolsonaro interferiu e não deixou que o Brasil assinasse e propusesse essa palhaçada, numa resolução da ONU. Então, por enquanto, a batalha está ganha.”

A importância dos italianos no mundo

“Com relação à cidadania italiana, eu faço parte da Comissão de Relações Exteriores (Commissione Affari Esteri e Comunitari) e confesso: a Itália não sabe da importância dos italianos no mundo, a Itália está arrogante e achando que só eles, italianos, são capazes de fazer coisas grandiosas. 

“O ‘Made in Italy’ só existe porque do outro lado da ponte existem milhões de italianos, como os oriundi que compram os produtos da Itália, que prestigiam a Itália e torcem pelo país. Por exemplo, ninguém compra ‘Made in Italy’ na Índia, em Bangladesh, enquanto nós compramos o ‘Made in Italy’ em Chicago, em Córdoba, em São Paulo, em Nova Iorque, na Austrália, no Canadá, na Bélgica, na França. Então, esse ativo, por que não existe o ‘Made in Spain’, sendo que temos tantos espanhóis, em toda a América do Sul, na América Latina? Porque nós italianos somos bons de produzir e nós, fora da Itália, somos bons em consumir, existe uma ponte entre os dois países.

“Eu posso afirmar que existe racismo dentro da Comissão de Relações Exteriores. Membros do partido 5 Estrelas dizem, ‘ah, vocês são oriundi e não são italianos’, e eu digo, ‘mas você é uma calabresa que morou em Milão e emigrou há seis meses para Londres, você é uma novata na imigração’. 

“A Itália é um país marcado pela imigração. 15 milhões e meio de almas deixaram a Itália, não para fazer turismo em Las Vegas, mas para buscar um sol, um horizonte, para buscar calor, vida, alimento. E hoje nós somos 35 milhões no Brasil, 18 milhões na Argentina, e assim vai. Essa gente não sabe que não existe uma família, na Itália, que metade não tenha ido embora. 

“Publiquei, em uma rede social, os principais sobrenomes das lideranças da LEGA, todos esses nomes, esses medalhões, todos eles têm milhares de pessoas com o mesmo sobrenome no Brasil. Inclusive, a oposição. Existe a família Renzi, a família Di Maio, são 31 mil famílias Di Maio no Brasil. A família Zingaretti, a família Boldrini, que são da esquerda, que não gostam, não prestigiam os italianos no mundo”. 

A obrigatoriedade do idioma italiano

“Eu faço uma crítica aos consulados porque eles deveriam ser portas de desenvolvimento cultural e econômico. Agora, querem exigir, existe um plano secreto da esquerda e da Farnesina, que nós falemos italiano, mas ninguém fala italiano na Itália, todo mundo tem o seu dialeto nas costas, ou vêneto, ou calabrês ou siciliano, o que é bonito. 

“Se eu for a 20 km de Roma conversar com uma velhinha, ela não sabe falar italiano, ela não sabe qual foi a primeira capital da Itália. Então, precisam ‘baixar a bola’, italianos, afinal, somos irmãos. Irmão trata irmão com amor. Irmão trata irmão com carinho, irmão estende a mão, não cobra certificado de língua e cultura italiana. Irmão não põe limitação. Ah, o teu sobrinho é meu primo, o teu neto não é meu parente. Isso é gravíssimo, isso é racismo, isso é xenofobia. 

“Por isso, eu acho que existe essa ignorância generalizada. Demagogos, no Brasil, que fomentam o tempo todo polêmicas sobre mudanças na lei, idiotas que publicam artigos sem fundamento para causar o caos. Gente que vive da especulação, fazendo residências falsas para a cidadania na Itália. É uma máfia, mas que tem duas pontas, os bandidos brasileiros e os bandidos da Itália, porque ela envolve prefeitos, polícia local, vereador, imobiliária, padre. Isso está em todos os jornais da Itália. 

“Quer dizer, nós, os descendentes, somos a presa, e, devido à incompetência dos consulados, precisamos pagar para adquirir um direito que deveria ser de graça. O PD (Partito Democratico) criou essa taxa de 300 euros, tentaram elevar para 600, obviamente não conseguiram porque nós gritamos. Eles sabem que é uma medida altamente negativa, então o PD tratou de rever essa taxa de 600 euros para manter os 300, que já é um absurdo.” 

Possíveis mudanças na lei iure sanguinis 

“Italiano, mesmo que a lei mude hoje, quem já nasceu ontem está dentro da lei atual e, portanto, estamos garantidos. O Brasil ajudou a liberar a Itália do nazifascismo, 25 mil soldados, muitos deles filhos de italianos, foram para a Itália morrer na guerra para libertar o país do Hitler e do Mussolini. A Itália não sabe disso. A Itália só fala de americano, de inglês, até da Nova Zelândia, mas do Brasil a Itália não fala. Em Pistoia, existe um cemitério que, até hoje, a Itália não deu para o Brasil. O Brasil paga as despesas todas, mas o cemitério ainda é italiano. 

“Por outro lado, essa ignorância está sendo, aos poucos, quebrada. Eu presido o grupo União Interparlamentar, regulamentado pela ONU, Conselho de Genebra, onde represento o Senado e a Câmara da Itália, no Brasil e no Suriname. Estou dando o meu melhor para a aproximação dos grandes empresários dos dois mundos. O mundo americano, onde estamos nós, no Brasil e na Argentina, e a Itália que está lá sentada, aguardando, a história passar. O ‘Made in Italy’, sem a gente, não tem continuidade. 

“A Ferrero produz no Brasil, com o cacau e o açúcar brasileiro, o chocolate ‘Made in Italy’. Então, se a Ferrero é ‘Made in Italy’, a vinícola que eu tenho em Ribeirão Preto também é ‘Made in Italy’, porque o dono é italiano, a uva é Sangiovese, os produtos e os tanques são importados da Itália. 

“Sendo assim, não existe concorrência entre o ‘Made in Italy’ e o ‘Made in Brasil by Italians by Italian all around the world’. Não tem diferença, não há como criticar que um povo que saiu da Itália, uma diáspora de 15 milhões e meio de pessoas no mundo, não tenha levado consigo as tradições gastronômicas, culturais, porque ser italiano não é só saber falar italiano. É ter a braveza do avô rígido e econômico, da avó que corrige os netos, os costumes, as tradições religiosas, os nomes e os sobrenomes, a forma como pensamos família, isso é ser italiano.” 

Cidadania italiana ius culturale 

“Por exemplo, os idiotas da esquerda, agora, querem criar o ius culturale, isto é, quem estuda na Itália, vira italiano. A minha filha que estuda em Cambridge, adora estudar inglês,  acha a rainha da Inglaterra linda, mas nem por isso ela vai ter cidadania britânica.       

“A esquerda, esse pessoal está louco. Eles estão desvalorizando os italianos no mundo e valorizando quem? Os clandestinos que entram na Itália em botes novos, chineses, com coletes de salva vidas novos, com telefone celular num saquinho plástico. Eles não perdem o whatsapp, mas desembarcam na Itália sem documentos. Chegam lá com 18 a 25 anos, todos homens para uma invasão, está ocorrendo uma invasão na Itália. E a Itália gasta com essas pessoas 5 bilhões de euros, por ano, porque eles não podem trabalhar, aguardando o pedido de asilo na justiça. 

“E nós, enquanto isso, ficamos numa fila de cidadania para sermos inscritos no consulado, porque, quando você vai ao consulado, o que o cônsul de São Paulo, ou de Porto Alegre, ou de Belo Horizonte faz? Pega a sua certidão de nascimento, do seu pai, do seu avô, e manda registrar o espelho. Ou seja, não existe um decreto, não existe uma sentença, é simplesmente registrado, na Itália, o nascimento; não tem outra coisa, não tem ‘a partir de hoje você se tornou italiano’, não existem ‘novos italianos’. Já vi cônsules dizendo ‘os novos italianos’, isso é racismo.”

A exigência de falar italiano

“Italiano se nasce, desde o dia do nascimento. ‘Ah, mas vocês não falam italiano’, olha, aqui no Brasil, o dialeto Talian, o dialeto vêneto, é reconhecido pela República brasileira. Na Itália,  olha que vergonha, a Itália não reconhece o vêneto como língua, e nós, no Brasil reconhecemos e temos 700 mil pessoas que falam o dialeto vêneto. 

“Então, nós não somos obrigados a falar italiano. É lindo falar italiano. Os nossos avós falavam o dialeto, vêneto, siciliano, piemontês, calabrês. Então, eu exijo das autoridades italianas respeito com a nossa história. Se a Itália prestigia tanto as comunidades que falam albanês, na Calábria, se a Itália prestigia quem fala alemão, na divisa com Bolzano, quem fala o ladino, quem fala o grego, por que não prestigiar milhões de italianos que falam português, a quarta língua mais falada no mundo? Isso é uma burrice, não prestigiar os italianos que falam espanhol, que é a segunda língua mais falada no mundo; não prestigiar italianos que falam inglês, na Austrália, no Canadá, nos Estados Unidos, na Nova Zelândia.” 

Mais respeito ao Brasil e aos ítalo-brasileiros

“Logo, esse bairrismo vai destruir a Itália. A Itália está sendo invadida e não está olhando para os seus irmãos. Hoje, não tem mais distância, nós temos o whatsapp, as mídias sociais, está todo mundo colegado online, instantâneo, então eu peço ao governo italiano, ao Luigi Di Marco, ao líder do 5 Estrelas, ao Renzi,  ao Zingaretti,  a Boldrini, a todas essas pessoas que têm famílias no Brasil: olhem para o Brasil com um pouquinho mais de respeito!

“Eu continuarei a representar o Brasil, a América do Sul, dando o melhor de mim, dando o exemplo da minha família de pioneiros neste país. Nós construímos este país, fundamos cidades, somos nomes de rodovia, de pontes, nós fizemos coisas maravilhosas. 

“Os italianos têm medo de uma invasão de pobres venezuelanos italianos voltando para a Itália.  Nenhum venezuelano pobre voltou para a Itália, agora, com esse problema todo de miséria e fome do Maduro. Eles dizem, "ah, mas e se o Brasil resolver invadir a Itália?". Respondo: Já existe um acordo bilateral, desde os anos 60. Qualquer brasileiro, preto, branco, vermelho, verde, amarelo, de qualquer raça ou religião, se estiver na Itália, tem acesso à saúde pública, à previdência social, ao SUS italiano e vice versa. Essa lei - vale lembrar - foi feita porque tem muito mais italiano no Brasil do que brasileiro na Itália. Ela foi feita para socorrer os pobres italianos que aqui viviam e ainda vivem.  

“Sendo assim, eu peço respeito e vou dar o meu melhor, vou continuar lutando, mostrando que mão tem cabimento pensar numa imigração em massa de clandestinos islâmicos e esquecer que no Brasil fala-se a língua Talian, que o Brasil tem 35 milhões de descendentes e nós somos o maior país católico do mundo, e que nós preservamos ainda a tradição, a história, a cultura que talvez lá na Itália já tenha sido perdida. “ Luis Roberto Lorenzato (LEGA)